Arquivo do autor:alberto lins caldas

o inverno sera violento e duro

Jasem Khlef 2

● depois desse inverno ●
● ja consegui estocar mil avelãs ●
● quatro mil coisas q se come e planta ●
● nesse inverno q vem mais violento e duro ●
● um inverno como jamais houve igual ●
● sinto isso na pele nos ossos no peito ●
● não sei se o q estoquei sera suficiente ●

● minha toca é imensa é um mundo ●
● mas o inverno é maior perverso e duro ●
● ja tranquei as saidas ja reforcei tudo ●
● ja preparei as armas as defesas os planos ●
● mas o inverno sera demais violento e duro ●
● como tou velho acho q morrerei aqui dentro ●
● sem ter comido nem metade disso ●

● se bem q a vida não vale a pena ●
● ou vale so a metade dela vale a pena ●
● metade um belo verão com belos invernos ●
● o resto apenas a aproximação do nada ●
● mas isso não me deixa triste nem abate ●
● o inverno sera demais violento e duro ●
● terminarei me tornando parte dele ●

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sombras

Picasso - Minotaure - 1933

● vejo sempre a sombra do minotauro ●
● quando fujo e fujo sempre sem parar ●
● sei q é a sombra do minotauro ●
● pelos chifres pelo corpo de touro ●
● pelos urros de touro contrariado ●
● sei q é o minotauro porq sua sombra ●
● é a minha sombra de minotauro ●

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circulo de fogo

Leo Matiz

● fogo tão violento ●
● q arrasta tudo e torra ●
● o q existe na hora mesma ●
● em q pulsa e vive e sonha e luta ●
● sem deixar cinzas po ou vento ●
● apenas os rastros da destruição ●
● se repetem se reproduzem sem fim ●

● pra serem novamente destruidos ●
● na tempestade violenta na hora ●
● mesma em q pulsa e vive e sonha ●
● sem deixar nem o deserto q deseja ●
● ficar no lugar de tudo e nem ele ●
● permanece ao fogo violento q torra ●
● sem deixar cinzas po ou vento ●

● o q existe agora agora mesmo sim ●
● ja passou na tempestade violenta ●
● tão violenta q pensamos q existimos ●
● em passados presentes e vira futuro ●
● tudo torrado a cada nada pro nada ●

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hokusai

Sebastião Salgado

● quantas vezes hokusai sonhou ●
● com as garras das monstruosas ondas ●
● ate conseguir tocar o cinzel e começar ●
● com as unhas os dedos as patas o corpo ●
● monstruoso das ondas q se erguem raivosas ●
● desabando antes das rochas aos berros sim ●
● como animal faminto lutando so pra devorar ●

● praias mas antes mergulha serpente violenta ●
● nas aguas verdazuis do mar q respira se ergue ●
● como bufalo sonhando com hokusai sonhando ●
● com ondas monstruosas com medo do cinzel ●
● medo dos veios na madeira q respira como mar ●
● como bufalo atingido pela flecha mergulhando ●
● num penedo verdazul baleia plena de abismo ●

● flutuando nas dunas de areia do fundo do mar ●
● como se cavalgasse indo convencer hokusai sim ●
● de acordar pegar o cinzel criar a onda as ondas ●
● cavalgando no deserto do medo de hokusai sim ●
● foi dessa maneira q hokusai se levantou sim sim ●
● tomou a madeira o cinzel e vieram violentas sim ●
● ondas o mar inflado verdazul barcos e o vulcão ●

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sapho

La vie d'Adele 2013 - 2

● morro sapho ●
● por teus beijos q passarão ●
● teus seios teu halito de laranja ●
● morro de saudade do teu gozo ●
● minha boca na tua flor e pelos ao redor ●
● tudo q perderei quando teu barco partir ●
● nada como teus pelos sedosos teu gozo ●

● ao redor da minha dor quando vc goza ●
● me olhando espantada como um potro novo ●
● olha os olhos da noite e ouve morcegos ●
● horas borbulhando na minha boca ●
● teu canto gritos como o sono q nos toca ●
● assim eu durmo entre teus pelos sedosos ●
● sonhando os mesmos sonhos teus ●

● assim te vi partindo no porto toda azul ●
● q virão outros corpos outras vozes ●
● outras linguas entre teus pelos sedosos ●
● outras dormindo entre eles e sonhando ●
● os mesmos sonhos teus e acordando assim ●
● como eu agora chorando ao perder teus pelos ●
● teu gozo nosso sono nosso sono nossa dor ●

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pere lachaise

ragnar axelsson 4

● neve nevoa ●
● redemoinho de fumaça ●
● corpo de nada nada nonata ●
● rodopia no meio da estrada ●
● a rua a rua desaparece lama ●
● de neve de nevoa de nada ●
● os muros pesados dos mortos
● não entram no redemoinho ●

● redemoinho de neve nevoa ●
● fumaça corpo de nada nonata ●
● nada a rua a rua desaparece ●
● lama de neve de nevoa de nada ●
● os muros pesados dos mortos ●
● peso não entra no redemoinho ●
● ossos demais alem dos muros ●

● não entram no redemoinho ●
● os muros pesados dos mortos ●
● de neve de nevoa de nada ●
● a rua a rua desaparece lama ●
● rodopia no meio da estrada ●
● corpo de nada nada nonata ●
● redemoinho de fumaça nada ●

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eies ta fund ku

LES PONTS DE SARAJEVO

● cade podina flu ●
● ednaria graafa tu ●
● cade infri carde ●
● mom viragh parde ●
● au fa tido viraago ●
● li fa tido hamago ●
● cade podina flu ●

● slonia podia kuu ●
● pratula smirga ta ●
● tu infriq y heiddka ●
● maika tuah xamina ●
● fuca nozel puraka ●
● gass mom krabella ●
● slonia podia kuu ●

● vano slovano tuu ●
● dedey losq tuuo ●
● vanitis fu y wuoo ●
● maternutum cadez ●
● sgk sgot zapatez ●
● va vivt vormbatez ●
● vano slovano tuu ●

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