Arquivo do autor:Roberto Dutra jr.

Sobre Roberto Dutra jr.

Escrevo e isso basta.

OBRA ABERTA

já o céu desmorona
inexoravelmente
(uma palavra apenas)
ribomba
gracejos
infernais
sobre os homens

a desolação não tem nome

levatreva

dentro
dentro da terra
seu centro
o sol de dentro
ergue-se
(isso basta)
suficiente
(a força da palavra)
a letra aberta
será pétala

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SETEMBRO VIROU OUTUBRO DE 2018

Pai, como vão as coisas? Escrevo para dizer que tudo corre bem. Lentamente, mas bem. Esta cidade tem um ritmo acelerado, mas eu tenho um passo completamente diferente. Os dias têm sido nublados e há períodos de chuva. Foi assim no último mês. Acontece que setembro virou outubro e o céu cinzento agora parece opressor e a primavera que tudo deveria renovar parece oculta, menos que implícita. Coisa de promessa não cumprida, discurso de político, vôo atrasado. Não sei como colocar isso pra você de forma clara, pai. Parece que algo está oculto nas sombras de uma cidade que apenas deveria refletir a luz do sol.

     De qualquer maneira, é vida que segue. Dizem muito isso por aqui. Já ouvi em estações de metrô, nos pontos de ônibus, na padaria. Acho que foi uma das primeiras frases que me chamou a atenção, não pelo seu conteúdo, mas pela sua repetição em diferentes contextos e vindos de pessoas de diferentes classes. Como eu acho que o clima geral é de uma certa angústia – que também poderia ser apenas o céu cinzento –, essa frase acabou sobressaindo.

Encontrei com o Gregório dos Santos, que escreve resenhas, traduz e parece ter uma visão bem correta de tudo que cerca a escrita. Na maioria das vezes ele parece um tanto nervoso, é um sujeito agitado, mas disse que me passaria livros e resenhas e que o mais importante agora seria que eu tivesse uma boa visão – neste caso leitura – de tudo que se tem escrito hoje em dia. Ele pareceu um tanto irritado dizendo que o problema dos que se dizem escritores hoje é que parecem que não lêem nem para formação nem para informação. Ele disse que cada um é seu próprio nicho. Confesso que achei que fosse ironia, mas depois percebi que falava seriamente. Gregório disse que trabalhasse sem esperar nada, mas ainda assim trabalhasse. Não iria deixar de me passar o que pudesse, mas que o mais importante para mim é que fosse lido, que nas circunstâncias atuais isto é mais importante do que receber anonimamente por uma lauda feita.  Ele disse também que o problema das pessoas hoje é que querem ser reconhecidas pela sua personalidade e não pela sua obra. “Afinal o que você pensa que é? Escritor ou ator de telenovelas para a família?” Você não é quem você vê no espelho, tem que ser suas palavras e as palavras se invertem quando refletidas no espelho. Logo, um escritor tem que ser o inverso do que sua pessoa é, destemido para opostos, que podem ser certas vezes até irreconhecíveis, vias de regra. Tudo isso soou meio apocalíptico, mas acho que ele foi bem honesto comigo e – por que não dizer? – atencioso por não ser condescendente com minhas aspirações. Tão importante quanto isso é que ele vai me passar algumas resenhas e traduções e com isso, certamente levanto logo algum dinheiro e tudo logo se encaminha. Apenas espero que, como ele me disse, meu nome também possa circular e então um trabalho seja conseqüência do outro.

     Ainda hoje sairei para procurar uma mesa ou uma escrivaninha em que possa me instalar melhor. Vou caminhando, aproveito enquanto ainda tenho tempo e também para conhecer melhor o comércio daqui. Se encontrar alguns cartões postais com vistas da cidade, vou comprar e lhe envio logo em seguida. Sei que gosta de cartões postais. O café das padarias é fraco. Passei a beber só em casa mesmo. Não é nem uma questão de economia é sabor mesmo. Tento me decidir se é desleixo do balconista ou se a vazão dos clientes. Enfim, conjecturas pra encher o papel. Vida que segue como dizem aqui.

     Esfriou e parece que vai chover, e muito. Sairei assim mesmo, senão o tempo vai me impedir de fazer tudo que quero. Nada de dar lugar pra preguiça.

Escreva logo. Abraços, R.

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SETEMBRO CHUVOSO DE 2018

Vó, escrevo para lhe dizer, antes de mais nada, que estou bem. Imagino que a senhora já deve ter almoçado e está sentada na sua poltrona, depois de ligar a televisão e rasgar os folhetos de supermercado que colocam na sua caixa de correspondência. Chego a pensar no que preparou para o almoço e se fará algum bolo para o final de semana.
Morar sozinho é algo entre o curioso e o divertido. Um exercício de se conhecer. Eu me divirto quando percebo que acabei criando hábitos muito parecidos com os seus, agora que moro sozinho. “Primeiro alimentar o dia, depois viver o dia um pouco.” Sua frase sempre viva na minha memória. Sua filosofia pessoal, que quer dizer que primeiro preparamos o almoço e depois podemos ser gente. É o que procuro fazer.

Eu estou me cuidando, não se preocupe. Dou graças à senhora, que por sua causa até hoje nunca lavei louça como se isso fosse um fardo. Eu sei que a única alegria maior que lavar a louça é ter comida para preparar. Melhor lição de vida não houve. Mas tudo tão caro e sofrido que cada refeição é uma celebração.
Ainda não tenho telefone, mas não demora. As coisas se arrumando devagar aqui, mas indo, com certeza – certeza certa – pode acreditar.
Tenho leituras, uma máquina de escrever, passeio e caminho quando quero. Há café para enfrentar o dia e chá para chamar a noite. O mais são tarefas e a vida é essa.

Se não souber o que escrever, envie receitas. Pode ser qualquer bolo, ou cozido, ou sopa.
Chove bastante aqui. As ruas sempre da cor do concreto que parece refletido do céu, certas vezes uma coisa continua a outra. Vou levando bem, porque, na verdade tudo está interligado: a chuva, a sopa, o sossego, o café, o trabalho.

Nada de inventar que não tem caneta em casa, sei que guarda uma perto dos fósforos na gaveta da cozinha, então me responda logo. Não reclame muita vida com a mãe e as tias. Tudo passa e melhora, mesmo a distância se aproxima um dia. Se parece não melhorar, é porque já melhorou e não paramos para apreciar. Agora, por exemplo, na minha janela um raio dourado irrompe para dizer que acima das nuvens carregadas o Sol continua o mesmo e reinando absoluto.

Todo amor do seu neto, R.

SETEMBRO CHUVOSO DE 2018

Querida, recebi sua carta esta manhã, o que me encheu de boas energias para começar o dia. Eu que queria tanto saber daí, peguei o envelope e carreguei comigo durante o dia. Fui andar por aí, conhecer e me reconhecer. Se quiser se encontrar, perca-se, não é mesmo? Pela falta de praças, quando cansei, sentei numa igreja – não me pergunte, não sei, fui apenas retomar o fôlego. Li sua carta sentado em território santo e ouvindo um órgão barroco que tocava baixinho pelas laterais da nave. Lugar mais tranqüilo, impossível. Preciso descobrir onde ficam as bibliotecas daqui.

Fiquei muito alegre com os resultados de suas provas. Não deixe que nada lhe desanime nem que lhe digam que é perda de tempo. Os ignorantes odeiam livros e sabemos que estamos cercados deles. Você vem mesmo passar uns dias?

Chove muito nessa cidade. Estou achando que isso é um presságio, algo do divino que resolveu descarregar as cinzas sobre todos. Vesúvio aquático; já pensou? Parece título de novela ruim. Vou guardar mesmo assim, quem sabe uso. Ando escrevendo tudo isso em bilhetinhos e deixando pelo apartamento. Quando me sinto bloqueado começo a procurar pelas paredes uma idéia que se encaixe para continuar.

Sei que essas idéias sobre os dias chuvosos não soam como eu. Você bem sabe que gosto das tardes tranqüilas e chuvosas para trabalhar. Tudo parece fluir melhor com aquela claridade que não fere os olhos, eu me sinto mais concentrado. Na verdade me refiro à sensação que encontro nas pessoas quando preciso sair por algum motivo. Há uma tensão no ar e dei um nome a essa tensão hoje; é intolerância, ou um tipo de. Imagine que aguardava um ônibus e no mesmo local havia uma mulher com uma criança no colo e um casal de idosos. Todos cerrados em si e tentando se proteger da chuva, que naquela hora era uma garoa gentil – chuva de molhar gato, como vovó dizia. Eu nem observava como estavam, apenas me marcou pelo que aconteceu depois. O ônibus parou e de repente todos começaram a discutir a respeito de quem havia chegado primeiro e teria direito de subir primeiro no coletivo. Algo como “a fila é sempre implícita, não preciso anunciar no jornal, minha senhora”. O trocador fez um sorriso amarelo e respirou fundo e eu me adiantei e tratei de pagar minha viagem e me sentar, afinal o ônibus estava vazio. Pois sabe o que aconteceu? Tanto o casal de idosos quanto a mulher com uma criança pararam de discutir e se voltaram contra mim. Que havia furado a fila, que era abusado, e – pasme – viado. Repito, o coletivo estava va-zi-o, 48 lugares disponíveis, todas as janelas para escolher e o que importava era o “viado” aqui. O trocador riu. Fiquei sem saber como lidar com isso tudo. Ainda não digeri. Sinto como uma indigestão. Acho que estou escrevendo aqui apenas pra preencher a página até o final. Não me decidi nem se eu realmente seria abusado ou se estou me portando de alguma maneira que as pessoas interpretam que sou viado. Acho que as pessoas daqui tem problemas com isso. E eu que achava que a mentalidade das pessoas daí era provinciana. Será o mesmo aqui? Ou estou percebendo apenas o pior das pessoas porque sozinho a gente fica mais fragilizado? Vou procurar um antiácido.

Não estou mal por estar morando sozinho aqui. O apartamento ainda está sem mobília, mas tenho um colchão, lençóis limpos e panelas. Acho que isso é tudo que uma pessoa precisa para estar na dela. É isso, estou na minha. Pode parecer irreal porque no imaginário de todos, uma pessoa só pode estar bem, cercada de tudo que vê na televisão – nem tenho e sem grana não penso em ter, me tira o tempo das pesquisas e da escrita. Vai bem, aliás. Ainda esta semana quero entrar em contato com o Gregório, ele está certamente inteirado de tudo que está acontecendo aqui e sabe do meu potencial. Provavelmente terá uns bicos bons que poderei fazer por enquanto, ou que podem abrir os caminhos para algo que dê uma grana firme. Justamente o que iria bem agora junto com a sopa de inhame que estou preparando com umas rodelas de lingüiça, alho e umas folhas de alecrim pra dar um levante e atiçar a mente. Cheira bem. Já percebeu como a chuva faz com que a comida cheire ainda melhor?

Nada de amores por enquanto, nem de tristezas. Tenho saudades de todos. Estou escrevendo para você primeiro porque estou com esse bloquinho de papel amarelo e quero estrear logo. Pra parentada depois eu escrevo, na máquina, que sei que eles não entendem minha letra tão bem. Vó diz que fugi da caligrafia e como quero que ela responda, prefiro assim.

 Para tudo mais tenhamos calma, que amor não falta. escrevi na parede uma frase de Virgílio, como uma resposta ao Orwell: Omnia vincit amor.

Saudades de todos, atravesse a rua e distribua abraços e beijingos (assim mesmo, não vou riscar o papel nem pra corrigir) em todos. Ainda aguardo você aqui.

Seu, R.

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Setembro chuvoso de 2018.

Querida, tenho saudades e aguardo notícias de todos daí. Setembro chegou chuvoso e com nuvens sombrias. Parece que o passado retornou e não quer deixar o tempo passar, entende? Domingo foi um dia estranho, fez sol e logo depois o céu obscureceu, mas não choveu. Pairou um clima estranho sobre a cidade, como se algo soturno estivesse zombando das pessoas na rua, ameaçando com ventos gelados e algumas gotas, mas sem desabar o toró de vez. Fiquei com aquela sensação estranha que não sabia se me protegia ou abria o peito para intempérie.

Tenho trabalhado como posso e da maneira que dá. E não tem dado para muito. O apartamento vazio ainda, mas tenho um colchão e lençóis limpos. Passo na quitanda e compro vegetais para a sopa. É a melhor maneira de me manter alimentado e ainda ficar em forma. Não se preocupe quanto a isso, estou saudável e corado e distribuindo cores para esta cidade que parece cinzenta e inóspita.

Muitas reflexões; estar sozinho e longe faz isso conosco, não é mesmo? Tenho ouvido muito rádio. Tenho um ótimo que está tocando agora uma música do Belchior. Coloco perto do basculante para cozinhar e parece que o som até fica melhor. Coloco no banheiro também. É uma companhia. As pessoas ouvem as músicas de modo diferente hoje. Por que as pessoas não ouvem mais as canções de Belchior? Sou apenas eu, sendo pessimista, ou estarei certo? Olha o que ele diz agora: “não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve / correta, branca, suave e muito linda e muito leve / sons, palavras, são navalhas e não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém”. Eu tenho me sentido muito assim, sabe? Agora acho que as freqüências do rádio atuam em sintonia com minhas emoções nessa carta. Talvez esteja exagerando, talvez todos tenhamos essa tendência meio paranóica, exagerada, quando moramos sozinhos.

Ontem, na padaria umas senhoras idosas brigavam pelo lugar na fila. Acho que estou sensível demais com tudo. Fiquei meio atônito vendo que quase se agrediram por tão pouco. Paguei minha média no balcão mesmo. Retornei achando que todos estão rudes aqui. Concreto demais, árvores de menos, muito noticiário e poucas crianças na praça, sei lá, esses grilos que batem de repente, ou um elemento estranho que sem motivo aparente desperta coisas obscuras dentro de nós mesmos. “Precisamos todos rejuvenescer”, é um trecho de outra música. Acho que talvez esteja sensível demais para tudo. Mas como evitar? Esse ofício de escrever deixa mareado e olhando fundo para reentrâncias pouco iluminadas de nós mesmos. Tudo sairá, é certo. Tudo vira palavra no tempo certo. Tenho feito progressos e o material está bom. “Isto também passará” é uma máxima zen que aprendi não sei onde. Sempre me vem na mente quando as palavras parecem empacar como cãibra no músculo. A gente grita, mas tem que encontrar a posição certa, movimentar pra passar. Será que estou ficando louco?

Você me disse da última vez que não sabe o que pensar. Eu lhe respondo agora que não importa o que pensar, desde que pense. Pense muito, sem parar, numa liberdade que só cabe dentro de você ou nas páginas do livro predileto. Para lá que vamos quando tudo mais parece distante da silenciosa paz de nós mesmos.

Estou lendo o livro que me enviou, aquele do George Orwell. Estou gostando da linguagem seca, rápida. Fico me perguntando quando ando pela rua se o amor será como no livro, algo sem verbo, um bilhete arde na mão com palavras desesperadas, subversivo. Escrevi na parede aquele trecho do Virgílio, uma mensagem pro Orwell: Omnia vincit amor. O livro pode ser sobre isso, mas desesperado. Diga o que pensa.

Muitos beijos em todos, pense em quando vem me visitar, escreva logo senão eu acabo colocando outra carta no correio ainda esta semana. Beijo, beijos, mil em você.

Seu, R.

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VENTINHO BOM

Uma escrivaninha em uma tarde. Tornada amarela em um gesto de dedicação, agora ampara seus livros, sua atenção, seu universo desdobrado em páginas. Há pequenas gavetas organizadoras onde canetas, papéis e lápis se distribuem sem disputa. São ferramentas do ofício, instrumentos de lapidar pensamentos. Há labor e prática envolvidos num despertar de individualidade. Há algo dentro de si que pede para sair assim que amadurecido. Há o ventilador sobre a escrivaninha, observando cada movimento, assim como um mestre, condescendente, acede conselhos apenas com um som da garganta. Seu zumbido constante embala as horas, que passam pela tarde, embora dentro dela prolongam-se em cada linha lida ou escrita. As ideias não voam simplesmente, são empinadas ao sabor do ventinho que lhe refresca o rosto. Talvez se percam em pequenos tornados em seus cabelos. Talvez naveguem na xícara que repousa mansa ao seu lado. A tarde prossegue lenta e sem distrações. Ela empilha leituras, uma após a outra em seu gesto particular de introspecção. Lá fora, crianças correm, como em qualquer tarde quente de jogos que serão esquecidos como apelidos infantis. Pouco a pouco um braço conquista espaço e um volume mais pesado é feito de encosto. Os cabelos se derramam e o cheiro de página nova não difere de relva mansa na memória. Algo vai acontecer, mas não será nesta tarde nem neste ventinho bom. Depois de bailar entre os dedos, também o lápis se deita.

DOMINGO

Bom dia.

Abri os olhos, ela estava lá. Café passado na hora, cigarros, janela. Posso dizer que o começo do domingo é sempre uma rotina. Pego minha câmera e aponto em todas as direções: das copas das árvores ao meu dedão do pé. Devagar o mundo desperta. Vejo nascer o sol e ela levantar-se, preguiçosa. Vai sozinha à cozinha e serve-se de meu café mentolado.

– Você é esquisito. Sempre levanta primeiro? E como conseguiu todas aquelas flores no meio da noite?

Não respondo, claro. Sei que um sorrisinho cínico nessas ocasiões é fulminante. Ela coloca a xícara na frente do rosto e diz entre os dentes:

– Você vai ficar sem roupas a manhã toda?

Continuo calado e com o risinho cínico. Apago o cigarro e tiro sua foto, vestido branco – praticamente um pijama – ela gargalha: – Não! Estou com olheiras!

Não largo a câmera e começo a segui-la pelo apartamento e aos berros recito Vinícius:

– Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Não demorou muito a perseguição e ela começou a olhar para as lentes. Agora era ela quem observava. Eriçava os cabelos acima da cabeça e logo era ela quem me encurralava. De repente, o fotógrafo era quem obedecia, sem saída. Jogou os braços para cima, fez caretas, abaixou-se e levantou-se, cobriu o rosto e descobriu o rosto. Então ela para e, olhando na lente como se nada mais restasse a fazer naquela entrega, levantou a saia.

– Teus pelos leves são relva boa…

– Fresca e macia.

– Meu Deus, eu quero a mulher que passa! – disse a todo pulmão.

E fotografei a manhã toda, aquele segundo sol a nascer na minha sala.

 

 

Publicado originalmente na revista Diversos Afins, em 2015.
(http://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-37/)