sempre a estrada/ uma doença em meus ossos

sempre a estrada/ uma doença em meus ossos incorrigível/ sempre à soturna/ os dedos que não se movem/ sempre à beira/ uma perna que balança convulsivamente/ sempre a esquina/ uma cura prometida/ me dê algo para ecoar nos meus ouvidos/ ocos/ sempre a estante/ uma unha que mofa no inverso/ sempre aquele livro/ embrutece os ombros caídos, conta as sílabas do verso mal dito, a palavra natimorta da língua, a língua levantada acima do queixo, as mãos levantadas acima da queixa, o não-ter-voz cola a minha doença nos ossos e a estampa no rosto, um outro dia, outra dor agora. (R. Basílio)

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