[deixa o teu rosto apertar…]

deixa o teu rosto apertar o meu suavemente
contra as nossas vozes que afogam os olhos

olhos a amar os olhos como a saltarem de boca em boca
ligeiros

a boca esconde-se nos olhos os olhos dentro dos olhos rasgam-se
fora dos olhos

e os olhos a queimarem o coração palpitante dos olhos
desprendem-se dos rostos em flor

ouvimos ainda o ardor da noite estalar outros corpos
que se amam destemidos

deixa-me ter-te
saborear a obscuridade do amor doido

cheirar os beijinhos
ouvir a brisa a correr na tua língua tão ou tão louca e castiga

 

filipe marinheiro, «noutros rostos», 2014

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