5 poemas de Adriane Garcia

Ornitóloga

 

Vai saber

O que passa no pássaro

Eu que não sei nem de mim

Me dou ares de laboratório e

Lupas, tubos de ensaio

Tenho uns

Pinçamentos estranhos

 

Cato amostragens

Para ver se me explicam

Voos

(Eu que

Nunca saí do chão

Quando saí

Era sonho)

 

Me intrigam os olhos pretinhos

Paradinhos

Dos pássaros mortos

 

Desde criança eu reparo

Se a morte é sempre fria.

 

 

Acender as luzes

 

Abaixo pálpebras

E apago o dia

Dentro de mim

O escuro avia

Minha intimidade

 

Pudesses me tocar

Eu diria:

– Aí dói muito

E tu deixarias

Quieto

O meu rio?

 

Os peixes nadam

Num lodaçal difícil

E ainda há um monstro

De comer pântanos

 

Tu fazes um

Movimento brusco

Eu choro e

Me inundo

E para não me afogar eu

Abro os olhos.

 

 

Haras

 

Crio

Ninguém me diz o quê

Nem como

 

Domo

Meu cavalo eu quero aqui

No arreio

 

Mas gosto

Que ele corra

Desembestado

 

Até o meu

Assovio.

 

 

O último aniversário

 

Uma mentira acabou de acabar

E então eu comprei

Um bolo e uma vela

Cantei canto triste

Como quem espera

Não velar

Mais um bolo amargo.

 

 

Dédalus

 

Sei muito bem o que é ter

Te encomendado minhas asas.

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