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Dia 22 de outubro de 2011
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Dia 28 de outubro de 2011
 
Dia 29 de outubro de 2011
 
Desculpe meu diário, mas apenas vou escrever amanhã…
 
Não insista… Amanhã eu explico…
 
Dia 30 de outubro de 2011
 
Ufa! Agora eu conto…
 
Desculpe meu fã… Mas não tinha como eu escrever, estava viajando.
 
Você é o único que me entende, pois só escuta. Sabe como sou quando viajo. Só penso em mim… Nas minhas fotos… No meu cabelo… E infelizmente nas minhas espinhas.
 
Por que temos espinhas… Por que temos que sofrer… Será que não basta ninguém entender por que somos tão assim…
 
Mas hoje aguenta, tenho muita coisa para escrever e estou com tempo. Acabei de chegar da escola, primeiro dia depois das férias, minha mãe saiu para ir ao banco e fazer compras, então ela não irá ficar chamado para lavar as louças. Como sofro!
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Essa imagem é só para as noveleiras de plantão! Associe à imagem a última frase do parágrafo anterior e irá entender. rsrsrsrs.
 
Bom, minhas férias foram ótimas. Nova York é Nova York… Comprei aquela blusinha…
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 Idiota não! O pano é uma droga, na primeira lavada… Foi… 
 
Mas comprei, nos adolescentes não queremos saber se terá vida útil, ou utilidade, queremos ter… Somos lindas, poderosas, e garotas… Então é assim e acabou…
 
 Mas, o principal, o fantástico, é que encontrei o garoto dos meus sonhos… Sonhei com ele a vida inteira, mesmo tendo apenas 15 anos, mas sonhei… Ele é o meu Damon…
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 Lindo! Lindo! Lindo!
 
 Estava de bobeira da loja da MM, olhava despreocupada, como uma deusa, tirava foto de mim mesma, era a bela… Quando ele apareceu. Ah! Preciso respirar…
 
(respirando)
 
Pronto! Voltei a ter equilíbrio. Ele entrou, olhou… Estava com uma calça preta, camiseta preta… Cabelo preto… Olhos pretos… Boquinha vermelha… Que delícia… Era ele… Era ele… Damon? Quase…
 
 Eu fiquei “histérica”, dei pulinhos. No pensamento, né?! Ele olhou para mim. Agora eu entendo o que é a flecha do cupido. Acertou meu coração.
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 Mas fiz de difícil. Fiquei na minha. Depois pensei, “Se ficar na minha e outra garota não, vou perdê-lo”. Deixei de ser difícil e fui para perto dele. Olhava e sorria… Olhava e desmanchava igualzinho o pudim que minha mãe faz, é lindo na forma, mas quando desinforma, ele quebra todo.
 
 Mas, por incrível que pareça ele puxou conversa. E o melhor eu sabia falar inglês. Ufa! Valeu a pena ter estudado inglês, mesmo não estando na sala de Davi… Lindinho…
 
 Mas vamos ao que interessa!
 
 Ele puxou conversa… Foi o “Hi” mas lindo que já vi.. Eu Hi… Ri… E tudo mais…
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 Foram os dias mais emocionantes que já tive. Conversamos, NY ficou realmente NY.
 Nem sei dizer como me senti…
 
 Foi D+… Bem D+
 
 Quando chegou o momento da minha partida, passagem já estava comprada pela agência de turismo, não adiantava tentar fugir, nem queria, pois comer hambúrguer todos os dias, ninguém merece.
 
 Ele foi fofo! Chegou ao hotel, estava lindo. Não sei explicar.
 
 Ele olhou com aqueles olhos, pegou a minha mão, e me pediu para namorar. Disse que ligaria, não iria deixar sozinha, e tudo mais que uma menina quer ouvir…
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 Você acha que essas coisas tem como negar, um pedido desse.
 
 Depois dizem que saber coisas é bom. Droga! Odeio escola. Odeio internet. Odeio amigos CDF. Odeio todo site e revista que ensinam alguma coisa. Vou criar um cartaz e sair nas ruas “ABAIXO INFORMAÇÕES”. Decidi, vou denunciar e pedir impeachment. Usei essa palavra, pois a professora falou tanto de Collor que achei lindinha.
 
O pior aconteceu. Não aceitei seu pedido. Ele saiu com a cabeça baixa, sem entender nada.
 
Diário.
 
Analisa!
 
Eu, justo eu, como conseguiria namorar um cara que não sente saudades. Pois é, antes de viajar descobri que apenas no Brasil existe a palavra saudade. Como ele sentiria saudade de mim. Sou mais eu, prefiro o Davi, mesmo sendo platônico, mas pelo menos um dia ele poderá sentir saudade de mim…
 
Sou complicada né? Todas são!!!!  
 
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O vento cegou,

Ao som do redemoinho

Perdeu-se no tempo

…………..

Foram-se as lágrimas e aninharam-se o pó, impedindo os olhos de fechar diante da gargalhada do vento, trazendo de longe o canto silencioso da despedida, com suas notas suaves e as pequenas lembranças, arranhadas e amareladas como fotos antigas. Seus olhos verdes desbotados estavam presos nas mãos trêmulas. A catarata como fumaças embasara a visão e impedira a nitidez tão desejada naquele instante. Não importa! Pensou. Em breve colocarão sobre meus olhos moedas para pagar o barqueiro e encontrar na outra margem o que o tempo separou, com suas mãos firmes e sua decisão implacável, não importando com a idade, sentimentos , vou mesmo a vontade de viver. Apenas esperava quieto. Não queria incomodar ninguém. Como uma vitrola e suas rotações que tocavam valsas Vienenses que embalavam nossos passos, ouvia-se na sala ao lado murmurinhos dos que aguardam nossa partida, olhando de vez em vez no relógio de pulso e, espiando sorrateiramente para o quarto para certificar-se que o sopro parou e o tom rosa seja substituído pelo acinzentado e a rigidez de um corpo antes flexível seja a forma mais fácil de acomodar-nos na dura cama eterna. Suspirou! Aos poucos se lembrou da infância, assistia a mãe segurando-o para não cair, ao fundo a velha casa da rua sem asfalto, com pedrinhas que brincávamos de cinco-marias. Depois se transportou para o primeiro encontro, o beijo roubado, o abraço apertado, os filhos, os netos, o esquecimento, o abandono… Antes regia a casa… E no mesmo embalo que mamãe cantava a música de ninar, ouvia o canto apaixonado da primeira música e do encontro usando glamourosamente o terno príncipe de Gales. E foi chegando um sono, um sono tão gostoso que a vontade era mesmo dormir. E adormeceu, para acordar bem distante, com seus olhos limpos, suas pernas firmes, seus braços obedecendo suas ordens, e sua boca molhada para o primeiro beijo de amor.

SOLUÇÃO

Sempre obedeci. Fui fiel como um cachorro treinado. Um dia disseram-me SENTA! Sentei e, assim foi o meu caminhar, sempre obediente. Mesmo expulso ou desprezado, olhava com aqueles olhos tristes e esboçava um sorriso, abanando o rabo em busca de consolo. SEMPRE NEGADO. Apenas desejava carinho, mãos afagando minha cabeça, uma troca de olhares, uma palavra que refrescasse minha angustia e dissipasse meu cansaço. Só recebia um osso duro de roer, sem carne, sem nervos, sem cartilagem, apenas um osso (sintético) para enganar-me. Achei que estava na hora de mudar, tomar uma decisão, por mais difícil, mais penosa, cruel até certo ponto, deixaria minha marca. Isso mesmo. Acabaria com essa vida de abanar rabos e abaixar orelhas. Disseram-me Finja de morto! E morri, para nunca mais levantar.

Mais uma vez O FIM

O polegar direito, cheio de gordura do salgadinho de queijo, pressionou o botão off do controle remendado de fita adesiva. O infeliz era frequentemente arremessado no chão da pequena sala abafada do quinto andar do prédio da Rua Primavera.

Suores da testa escorriam pelo canto do rosto e encharcavam o pescoço e deixavam o travesseiro molhado, formando uma escultura no formato da cabeça.

Olhava para a mulher com um rabo de olho. Estamos próximo do fim! Uma catástrofe. Se os documentários eram verdadeiros, ninguém sabia. Especulações sobre o fim povoavam os canais fechados.

Pagar essa merda para saber que vai morrer! Eram profecias de Nostradamus, calendários Maias e, eram chamados gurus, cientistas, charlatões, enfim… Uma enxurrada de palavras, mas como dizia: – Sempre há um fundo de verdade. Clara. Sóbria. O mundo realmente iria acabar.

O mais engraçado naquela parafernália eram as dublagens, você conseguia ouvir a voz original e uma dublagem horrível, sem contar à “cara” dos personagens enquanto explicavam tudo, no fundo queriam dizer. Seu mundo vai virar “bosta”.

Olhou para o relógio.

23h45min.

O tempo estava acabando, dia 21 de dezembro de 2012 iria despontar em poucos minutos, ou melhor, iria desapontar, era uma bomba relógio preste a ser acionada. Mas quem apertaria o botão?

Seus olhos pesavam, não aguentou ver a passagem do dia. Adormeceu.

Acordou com o barulho estridente do relógio.

Saco! Engoliu para não vomitar o coração. Acabaria tudo bem na sexta-feira. Pobre é uma desgraça! Pensou alto. Bem no dia de ver os amigos no barzinho da esquina, beber aquela breja e comer uns petiscos cheios de gordura e soltar conversa fiada. Filosofia do botequim.  Não podia ser na segunda-feira?

Naquele dia não marcou nada! Iria direto pra casa. O mundo poderia acabar a qualquer hora, estaria perto dos filhos, da esposa, do cachorro, do peixe no aquário. Não! O peixe já tinha ido pela privada, o mundo para ele acabou três dias antes do nosso.

Eram dezoito horas do maldito vinte e um de dezembro. Nada tinha acontecido. Brincou, contou histórias, beijou a mulher e foram dormir. Aliviado. Deitou mais cedo para que o resto  passasse e o vinte e dois surgisse como um verdadeiro milagre da ressureição.

Adormeceu. Mas o relógio infeliz tocou bem antes da meia-noite. Acordou! Não entendeu! Estava em outro lugar. Frio… Úmido… O escuro predominou. Náusea e dor de cabeça. Estava no inferno.

Meu Deus! O mundo acabou. Vultos perdidos entre sombras, a umidade aumentava consideravelmente, sentia seu corpo sendo encharcado.

Tentou gritar, mas era sufocado. Olhava para os lados e a mulher desaparecera. Com certeza estava no paraíso, era devota. Ao contrário das farras nos bares. Esse era o fim do mundo. Realmente os programas estavam certos. Mesmo nesse inferno respirou aliviado por não ter presenciado o fim com as explosões, os vulcões, furacões, tsunamis, e outras catástrofes anunciadas pelas profecias.

Será que tudo explodiu e não deu nem tempo de sentir? Será que foram lançados no espaço sem destino? Como foi o fim? Só uma coisa era certa. Estava aprisionado naquele lugar inóspito, sem saber a saída, pior, nem como tinha entrado. Só sabia que estava lá e a sensação de umidade tomava conta do lugar.

Começou a correr, mas nada! Sua mulher deveria estar mesmo no paraíso, seus filhos com certeza estavam vestidos de branco e tocando harpas iguais os querubins na Igreja na noite de procissão que sempre perdia. Olha o fim dos boêmios.

O desespero tomou conta, estava aterrorizado. Era o fim. A pleno pulmão começou a gritar, gritava desvairadamente. Socorro meu Deus! Ajude-me! Perdoe-me! Nunca falou com Deus como ele reconheceria minha voz?

Assustou com mãos apalpando seu corpo. Estava sendo atacado pelos demônios. A palavra de ordem era: DESESPERO. Gritos histéricos simultâneos a movimentos bruscos. Começou a abrir os olhos embasados e o respirar começou a normalizar.

Aos poucos tudo começou a tomar forma, seus filhos e sua mulher estavam em sua volta tentando acordá-lo. Como dizia um dos meninos. Fiquei no vaco! O caçula com aquela risadinha cínica.

– Pai pare de gritar. O senhor urinou na cama? Vou contar pro vovô que você está igualzinho ele.

Todos riam. Eu? Fiquei com aquela cara de quem não entende nada e não que entender…

FLASH

A mídia na passarela no quadrado da TV na página da revista com sua estética perfeita

seu corpo caquético suas pernas simétricas seu rosto opaco

PAGA CARO PARA ESTAR NA MODA

e todos aplaudem

Blec! Blec! Blec!

apaga o cardápio repeti o jejum o cardápio repeti apaga o jejum

Argh!

quebra o espelho esconde o chocolate devolve na privada

revira o estômago cutuca com a escova

Bah!

sobe na balança                                 sobe na balança                                sobe na balança

desce da balança                                          desce da balança

e

aperta a fita e reprova  nunca está perfeito a calça nunca entra a blusa sempre aperta

o regime começa recomeça começa recomeça

Er…

uma batata mata uma colher de arroz mata um salsicha mata  um sanduiche

E S T U P R A

Oops!

 uma folha de alface

SALVAÇÃO  

sustenta e engana e doe e rói tudo pela estética

CORREÇÃO

Botox lipoaspiração silicone bioplastia rinoplastia mastopexia otoplastia blefaroplastia Lifting facial Adbdominoplastia

BARBIE

tudo para estar na mídia

tudo para ser perfeita

mas qualquer arzinho

atchim!Pneumonia!

um dia a mídia cansa o holofote apaga o click para

esquece apodrece cai

 a mídia passa rápido e abandona num

Zoom! Zum!

Arqui-inimiga

DEPRESSÃO

 sem solução

sem brilho

sem status

sem convite para festas VIPs

Ai-ai!

e a roda inverte

COME nhoc nhoc COME nhac nhac COME nhoc nhoc COME nhac nhac COME nhoc nhoc

…e descobre a estética imperfeita e…

BEBE Glub Glub BEBE Glub Glub BEBE Glub Glub BEBE Glub Glub BEBE Glub Glub

…e perde sóbrio juízo…

E S C Â N D A L O

a mída descobre e volta a ser manchete

REVIRAVOLTA

Alexandre Dijan Coqui

Liberdade das palavras

PAREI,

Para ouvir: Há de ser retórico!

e construa estruturas passivas

e mostre um mundo abastardo

e conduza intrigas poéticas

INACEITEI…

Exijo liberdade!

Sou degredado da forma

Quero Vida!

Delicio-me nas poéticas mundanas.

CAMINHEI

Obrigam-me a ser escudeiro e tiram-me as armas e os cavalos,

rotulam-me na classe dos inuptos e rasgam minha casta.

Detenham as rimas! Gritam eles galopantes

Ressoo um: Sou AntiTudo que rompante

CONFESSEI!

Vivo nas chitas das meninas e nos farrapos das orgias

Abrigo-me nos bares e nas bebidas, encaro a embriaguez da vida.

REVIVI!

Não sou esquecido! Desenterraram-me as palavras,

ressuscitaram-me os escombros,

Para a tua boca lida

DEFINI!

Aqui moram as palavras mais estranhas, das zonas corrompidas.

GARGALHEI… NÃO IMPORTO! SUPORTO!

Alexandre D Coqui