crônica lusa

Cá me encontro em viagem de trem de Lisboa (onde permaneci por três dias) ao Porto.

Há muito ouço dizer que na Europa a crise grassa. Se é verdade isso,  só posso definir o Brasil como trágico!

Na Terrinha vive-se muito, muito melhor que em Terra Brasilis. Tudo é mais em conta: aluguéis, transportes, alimentação, serviços. O respeito é a tônica. Os carros param quando o pedestre pisa na faixa. As pessoas andam tranquilas a qualquer hora do dia, em todos os lugares. No Rio, é guerra em tempos de Paes.

Não pensem que não amo meu país ou que me iludo. Sei que aqui existem problemas, além de um inverno longo e escuro e certa falta de calor humano tâo caro aos brazucas.

Mas ando cansado de morar num país onde professores são tratados à pimenta e corruptos a pão-de-ló. Cansado de ser explorado por empresas que cobram as tarifas monegascas e prestam serviços paquistaneses. Cansado dos comerciantes enganadores, dos falsos líderes de seitas que dominam as programações televisivas, dos hospitais que deixam os doentes morrer à míngua. Ando farto de ouvir que Deus é brasileiro (sou ateu, afinal) e que o Brasil é o país do futuro. Um futuro que nâo chega. E não chegará jamais. Pois um povo que não lê, não estuda, nâo questiona, nâo critica, nâo é povo. É arremedo.

Ando cansado de Anitas, de Telós, de Claudinhas, de Naldos, de Globos, Malafaias, Bolsonaros e Felicianos. E das pessoas com sorriso de beato afirmando que tudo há de melhorar.

Como se em minha terra nâo dominassem os urubus, mas os sabiás!

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