[fui ontem de estrelas…]

fui ontem de estrelas em lume atadas ao pescoço
fecundar as palavras bem dispostas que desarrumam a luz
compacta

ou que por isso desabariam sobre a lua intensamente delicada
como um retrato de ouro cristal a flutuar na ardência do corpo
inteiro

quando regressei
purifiquei a dor e a morte através das estrelas e do lume
com que rasgo a mão

e indisciplinadamente sangra sopros de vocabulário às manchas
dobrando-se nas palavras
e as palavras caem abaixo delas sem contornos de tintas

antes amadureciam nos fios de orvalho
estremecendo as frestas das folhas de papel
e que todas elas me devorem esta náusea constante e louca

sento-me à beira-mar com este alado mar a estilhaçar-se
no fundo da cabeça aberta

 

«noutros rostos», chiado editora 2014

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