[li como o vento…]

li como o vento sacode as minhas pernas lentas que não mergulham
no céu crepuscular

a lua pára entre os dedos circulantes lua tão bela tão pura
a perfumar-se pelas artérias que a rodeiam de madrugada

as veias racham o relógio que tenho no bolso a abrir as costuras
uma por uma até ficar sem calças
e este relógio não dá horas
antes desfia desertos taciturnos e tecidos leves como água de seda

o meu coração abate-se na confusão do perfume que exala o corpo
fora do corpo estranho aberto às horas ventosas que me detêm

 

«noutros rostos», chiado editora, 2014

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