POESIA EM TRADUÇÃO

BAIRRO PRATEADO PELA LUA

EDUARDO DALTER (*)

[ Tradução: Ronaldo Cagiano ]
Os vizinhos desocupados e
mesquinhos
atiram pedras e porcas à distância de minha casa,
ainda que eu não seja a exceção
neste bairro
que tem duas valetas feias
a céu aberto.
Na hora mais inesperada
– algumas vezes nos feriados –
batem
sobre o zinco e ressoam
como passinhos
de rato quando vão circulando.
Acalmem-se,
digo sempre aos meus cães
arruaceiros,
que isso é assim desde que o
mundo
é mundo. E eu não perco tempo
e continuo atento à minha bendita
horta
de cebolinhas e chicória,
mais três tufos
de arruda macho, por si
desgraçada.
E tomo mate no pátio,
à sombra
do eterno pinheiro entre os
alfeneiros,
quando sinto que os
murmúrios
vêm pelo ar, e não me
deixam
escutar o vento.

(*) Escritor argentino, nascido em Buenos Aires em 1947, onde reside. Poeta, tradutor, crítico e ensaísta, editou nos anos 1990 a revista Cuaderno Camin de Poesía, em que divulgava a poesia latino-americana. Estreou em 1971 com “Aviso de empleo”,  e destacamos, entre sua vasta bibliografia,  “En la medida de tus fuerzas” (1982), “Versus” (1984), “Silbos” (1986), “Hojas de sábila” (1992), “Mareas” (1997), “Bocas baldías” (2001) e “Nídia” (2008).

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