POUCO

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POUCO

Pouco antes da invasão eu estava feliz. Acontece. Eu tinha uma razão, mas podia não ter. O pessoal começou a correr, bater porta. Subiu poeira de estouro de boiada. Fechei a janela. Ainda vi a Dona Geralda caindo. Não adiantou. A madeira velha não segurou a bala. Meu ombro sim. Eu me recuperei do tiro. A cobra errou o bote. Agora eu abraço a mulher com força. Ela quase não consegue dormir. É que tenho frio, muito medo o tempo todo. Medo da sorte. De não ter mais. Com esse medo já não tenho mesmo mais nada. É que a gente aqui só vive por sorte.

ALBERTO BRESCIANI

Imagem: Google, war.

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2 ideias sobre “POUCO

  1. Rose Wargas

    Lindo! Belíssima forma de apresentar um sentimento que muitas vezes e por diversas razões nos paralisa e faz da felicidade apenas um relance em nossas vidas. Obrigada pela generosidade de compartilhar.

    Resposta

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