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Aproveite seu professor

                                                       Leo Barbosa

                                      (escritorleobarbosa@hotmail.com)

                                                Aproveite seu professor

     Apesar de cada vez mais desrespeitada, a figura do professor ainda suscita idealizações. Aquele que é detentor de um saber, que inspira por ser mais experiente. Por vezes, espera-se que o docente seja perfeito, sem nenhum desvio de caráter, sempre cordial, gênio, semideus. Esquecem os alunos que se trata de um ser humano como outro qualquer – com defeitos, fraquezas.

    Assim como todo mundo, todo professor terá suas qualidades e defeitos. Mas, uma coisa que sempre recordo aos meus alunos: não confunda não gostar da matéria com não gostar do professor e vice-versa. É necessário um bom preparo emocional para separar isso. E mais: a coisa piora quando não há simpatia entre a disciplina e o ministrante desta. Cabe ao estudante ter a sabedoria de não depender apenas do professor.

   O estudante precisa participar ativamente do processo de aprendizagem, ou seja, ser autodidata. Não superestimar o professor nem tampouco o subestimar. É possível indagar o docente sem ofendê-lo. É necessário que o discente se liberte do medo/vergonha de questionar sempre que um assunto não for compreendido.

   Às vezes o professor tem domínio da matéria, mas tem dificuldade em transmiti-la. A turma com a qual o mestre trabalha possui forte influência sobre a motivação dele. Quando a classe se mostra interessada, isso contribui para que a vontade de ensinar do professor aumente, logo o fluxo de conhecimento armazenado por ele virá à tona com maior facilidade.

   Evite julgar o professor ou tirar conclusões a partir do que os outros falam. Há quem sem conhecer a matéria, por dar vazão aos que os outros falam, começam a desconsiderar o professor porque outra pessoa o “crucificou”.

   Entre na sala disposto a aprender, independentemente de você gostar ou não do professor. Até porque o que ele vem transmitir não o prejudicará se você ignorá-lo. Mas, não se pode dizer o mesmo de você. Ele está disposto a ensinar. Você está disposto a aprender?

   Há outra tolice evidente: o aluno que faz perguntas das quais já sabe a resposta apenas para testar o professor. Indubitavelmente, é mais interessante perguntar o que não sabe. Não há lógica na competição entre categorias distintas. Se quiser aparecer, então que se mostre nas provas.

  Um bom professor é aquele que consegue ser flexível – atende a alunos com dificuldades sem considerá-lo inferior e, também, aos superdotados de forma que não os castrem. Tanto quanto o docente, cabe aos discentes a sensibilidade para lidar com os colegas menos dotados. O escárnio acontece de ambos os lados. Ou quando alguém entende bem um assunto ou quando sente dificuldade. De um lado, a inveja. Doutro lado, a arrogância.

  Se sua palavra vai agregar valor a alguém, fale. Se não, cale-se. Entre na sala de aula disposto a aprender e não a julgar. Faça jus ao tempo gasto nesta atividade. E lembre-se que o professor tem o direito de errar tanto quanto você tem de acertar.

Do professor aos pais

Leo Barbosa

(escritorleobarbosa@hotmail.com)

Do professor aos pais

    É preciso lembrar: não é a escola a única responsável pelo desempenho dos alunos. Não adianta a instituição ter os “melhores” professores se o discente não tiver motivação por parte da família e dele mesmo.

    O pouco tempo disponível dos pais não é desculpa para o desleixo que presenciamos. Engraçado é que, quando o aluno está quase reprovado, estes aparecem para reivindicar uma nota melhor para seu filho. Um contato informal, antes ou depois da aula ou por telefone pode ser muito representativo. Muitos pais temem demonstrar o desleixo e a falta de convivência com sua prole.

   É fundamental perguntas do tipo: Meu filho participa das aulas? Como é o relacionamento do meu filho com os colegas, professores e a escola em geral? Qual é a sistemática da escola em relação às tarefas?

  A maioria dos pais não tem o mínimo controle sobre o que os filhos fazem na escola. Para eles a verdade de sua cria é absoluta. É preciso que os pais monitorem o que seus filhos fazem na internet. Se quando é passado um trabalho-pesquisa esses alunos simplesmente copiaram o texto. Conscientizá-los que isso é desonesto e constitui plágio. Isso não é papel apenas do professor.

  A maioria dos professores gostaria de dizer: “Quando eu era criança, se eu fosse mal nos estudos, meus pais culpavam a mim – não aos professores”. Aqui vale o lugar-comum: “Professor nenhum reprova aluno, o aluno se reprova”. Antes o aluno se adequava ao colégio, hoje o colégio tem de se adequar a ele. Por que? Porque educação virou comércio! Porque o Brasil precisa subir nos índices de aprovação escolar, mesmo que o ensino seja falho e 80% dos alunos concluam, analfabetos, o Ensino Médio.

  Podem dizer que “a escola é a segunda casa”, mas os professores não são pais dos alunos! Cabe a vocês, pai, mãe, acompanhar, diariamente, as atividades escolares e ajudar seu filho a ter autodisciplina, estabelecer horários de estudo. Retire pelo menos 15 minutos por dia – isso pode fazer toda a diferença.

   Demonstrar interesse pela vida de seu filho é um ato de amor. Seu filho se sentirá mais amado e importante, mais confiante para desenvolver atividades do dia a dia.

   É importante frisar que o computador, videogame não é de todo mau. Apenas exija do seu filho o cumprimento das tarefas antes da diversão. Mais uma vez: estabeleça horários.

    Quando seu filho obtiver uma boa nota não diga que ele fez “mais do que sua obrigação”. Comemore junto a ele, no entanto, sem soterrá-lo com presentes.

   É comum observarmos que na reunião de pais só comparecem aqueles de alunos que não têm problema. A falta de limites em casa se reflete na sala de aula. Essa é uma geração abandonada. Tem mesada, tem brinquedos, tem regalias. Falta o essencial: carinho, atenção, amor. São “órfãos de pais vivos”.

                                                                          Leo Barbosa é professor e poeta