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COISAS

Observe as coisas, elas se ramificam ao sol.
As coisas erguem seus galhos para o alto e sonham as próprias sombras.
Deixadas no gramado, as coisas podem facilmente ser confundidas com o azul.
Mordem sem serem sentidas e deixam marcas perenes na pele.
As coisas podem ser cingidas de sangue, como as palavras.
As coisas circundam os objetos na estante, também podem acomodar-se nas palmilhas.
As coisas se tocam e se perdem, dando voltas em transe.
Coisas perdidas sentam umas sobre as outras nas esquinas, não querem voltar, mas prendem-se nas bainhas e uma vez que cruzam a soleira tomam para si os rodapés.
Assumem tantas formas e ainda assim podem ser invisíveis, como o ar, que é tempo preso entre ponteiros.
As coisas podem ser como lâminas de metal — frias testemunhas — entre sempres, nuncamais e novamentes.
Certas horas, as coisas apenas existem entre paralelos do planeta.
As coisas não se pertencem.
As coisas se esquecem quando caem da cômoda da memória.
Não pise nas coisas, toda rudeza fratura no ponto de coda.
A natureza das coisas é a incerteza.
Alheias ao tempo dos dias, as coisas permanecem em silêncio, intocadas de desejo.
As coisas permanecem no mesmo.

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