Arquivo do autor:Leo Barbosa

REFLUXO

o-RIO-CELESTE-TENORIO-570

REFLUXO

Meu corpo se enferma
De negar desejo
E minh’alma se deforma
Pelo rigor da norma

Se eu me insiro no poema
Não há nenhum dilema
Mas se o poema se enverga em mim
Eu não penso ser gente.

De mim não sou nem indigente.

Que posso dizer
Se o amor aparente
Não ratifica sua patente
Causando-me refluxos.

O céu está mais próximo
De quem abaixa as mãos
E devolve o sêmen
A uma flor murcha.

Nem todo mar
Se confunde com rio
Se eu rio
É só acaso
Porque deságuo.

Anúncios

Coerente com a vida

                                                     Leo Barbosa

                                     (escritorleobarbosa@hotmail.com)

                                                Coerente com a vida

      Estou aqui tentando controlar a minha ânsia que parece aumentar na medida em que o tempo passa. Faço um discurso, mas nem sempre sou coerente. Essa tribulação se ordena com paciência e centralização naquilo que é mais essencial: ser o máximo de si, sempre se respeitando. Há pessoas que esperam de mim algo que não parece caber em si. Minha perplexidade tem um nome: poesia. É ela que rege os meus ofícios; sou poeta e professor. Reassumo o compromisso de guiar as palavras para frutificarem em quem eu as dirijo. Sou instrumento da minha vontade, mas desta não posso ser refém.

     Há duas filosofias que me guiam hoje. Uma tem base leminskiana (de Paulo Leminski). A outra, não sei quem disse, mas pouco importa. O poeta diz: “Isto de querer ser exatamente o que é ainda vai nos levar além”. Ser e estar porque serestar é preciso. O desafio está em se reconhecer pessoa, autoridade para exercer a humanidade potencialmente.  A outra guia: disciplina é fazer o que tem que ser feito, mesmo sem disposição.

    Foi o Leminski quem disse que ser poeta aos 20, 25 anos é fácil. Difícil é manter a poesia até os 80, como foi o caso de Drummond, Bandeira, Quintana. Verdade. Que não me falte a gana de poetizar. Digo sempre que o maior desafio não é escrever poemas, mas retirá-los do papel. Todo o esbanjamento e a catarse, de nada valem se a purificação não for assimilada.

   O fruto da solidão não fenece se for suplantado em câmaras de sentido. Como emoldurar essa força estranha que invade e perfura a vida? É urgente manter a fé em algo, seja em Deus ou no humano. Sem a crença em algo toda a luz se dissolve. Distâncias se inauguram, mas não são garantia de que o afastamento ocorra. Tal como um quadro que precisa ser visto sob vários ângulos assim é a vida. O passado se mistura ao presente que se envolve no futuro. É tempo uno. O destino se inclina a se fazer profundo. O que mais me encanta na vida são esses os súbitos espaços entre o que é de nosso controle e o que nos escapa às mãos.

    “Se aprouvesse a Deus que nossas mãos fossem como nossos olhos – tão dispostas no agarrar, tão despreocupadas no soltar as coisas –, seríamos verdadeiramente ricos”, reflete Rainer Maria Rilke. Mas nossos corações segredam as nossas falas, os nossos encantos e despreparos sentimentais. Quero seguir em profundidade, analisando-me e tocando no cerne de cada pessoa para que eu possa entender os “comos” e os “porquês” de cada indivíduo ser o que é.

   Nessa tentativa, por vezes me frustrarei porque me reconhecerei também no que não me agrada. Quero consumir a flama das palavras em busca de perguntas e respostas. Sabedoria talvez me caberá no dia em que eu não me exceda e possa me mostrar sereno. Se a vida me bater, eu choro, mas depois a beijarei.

                                                                       Leo Barbosa é professor e poeta

APLICAR-SE AO ESSENCIAL

Leo Barbosa

(escritorleobarbosa@hotmail.com)

Aplicar-se ao essencial

Somos seres naturalmente sedentos por informação e interatividade. Nesses tempos em que parar para refletir soa como “perda de tempo”, buscamos subterfúgios nas redes sociais na ilusão de ocuparmos nossos vazios existenciais – uma maneira de mascarar nossa solidão cada vez mais acentuada pelos desencontros que a vida nos propicia. Vivemos de aparência, vitimados pela cobrança excessiva de que “ter” é “ser”. Ostentação é a palavra da moda. Ritmo acelerado e consumo imediato regem nossas ações.

Entretanto, não é sobre essa materialidade que gostaria de enfatizar neste, mas sobre o quanto estamos enredados nesses fios de comunicação sem construirmos laços. Aqui e ali uma distração: facebook, sms e, principalmente, o febril aplicativo “WhatsApp”. Nunca lemos e escrevemos tanto em toda a história da humanidade. Todavia, não é a quantidade que importa, mas a qualidade. Tantas informações, contudo um grande desafio: filtrar aquilo que, de fato, é essencial. Porém, como “separar o joio do trigo”, se não nos damos o direito de refletir?

Nada mais irônico e paradoxal nos tempos modernos que o fato de estarmos “conectados”, mas, por causa das relações virtuais, constantemente desligados do essencial, pois a vida passa sem nos encararmos, sem nos olharmos nos olhos – uns para os outros e para si mesmo. Nossas horas com a família se esvaindo, mesas postas e histórias opostas. Não é apenas o adolescente, são os pais, os avós – todos contagiados pelo o vírus da urgência e contaminados pelo mal da distração, modificando nossas prioridades e urgências.

Não nego: também anseio pela novidade, mas reconheço que pausas são necessárias. Precisamos vivenciar o presente. Passamos mais tempo no passado ou no futuro. Estamos pré-ocupados, porque tudo se tornou emergência. A mais banal troca de mensagens, se não for respondida imediatamente, nos estressa. De maneira alucinada, vamos à caça de curiosidades sobre a vida alheia, mas nos tornamos estranhos a nós mesmos, sem sede de autoconhecimento.

Onde está a potencialização do pensamento, a busca pelo aprimoramento pessoal, a sede por conhecimentos práticos e úteis? Não digo que a vida deve se pautar apenas nas obrigatoriedades. Uma fofoca ali; outra aqui, nos é saudável, mas não devemos assolar nossos corações e mentes com a asfixiante pressa de querer provar não sei o quê para não sei quem; de que somos ricos, bonitos e poderosos.

Com espírito ausente, vamos retrocedendo. Descanso não é luxo. Corpo que vai mais depressa que a alma corre risco de ressecá-la. O imediatismo sequestra nossa capacidade de raciocínio. Que nós paguemos o resgate na medida em que buscarmos a autenticidade. Desconectemos um pouco para que o excesso de informações não lote nosso “HD” interior, forçando-nos a excluir o essencial, a jogar nossos toques, abraços, beijos e olhares na lixeira.

Onde está o tempo para ler um romance, para assistir àquele filme, para escutar aquela música que nos fazem nos sentirmos bem? E aquela caminhada? Talvez tudo isso nos ajude a nos libertarmos um pouco da corrupção do nosso pensamento.

Que não percamos o sono para sermos soldados em vigília da informação. Ao contrário, dormir é uma forma de nos restauramos do bombardeamento diário que a internet, a poluição sonora e visual nos atingem.

E será mais válido “conviver virtualmente” com duzentas pessoas a ter a presença de cinco amigos que sejam reais, ou melhor, leais? Não creio que o mundo virtual seja a melhor forma de ficar em rede. Ao contrário: estamos nos descosturando. A construção de laços não se dá através de telas de computadores, smartphones, entre outras parafernálias.

Nosso tédio será vencido quando nós aprendermos a interpretar o silêncio como uma oportunidade de convivermos com as perguntas sem tanta ânsia de encontrar respostas. Que usemos toda essa velocidade a nosso favor. Não deverá ser um modo de nos distanciamos de nós mesmos, como tem sido, porque pode ser um caminho sem volta. É preciso deixar um espaço vazio para que possamos caber em algum lugar, algo concreto, e não apenas uma conexão tamanho “G”.

Leo Barbosa é professor e poeta

POEMAS DE LEANDRO RODRIGUES (III)

1.

PODA

Aos poucos podar
cortar os galhos
(versos)
cada vez mais
concisão –
extrema:
_____________ .

2.

VÉRTICE

O homem velho
dobra a estrada
olha tudo
vê o nada

O homem velho
– sempre
à margem –
declina-se do vento
da eternidade – passa.

3.

POEMA OBSCURO

Cansaço
Olhos negros/ escuros
fechados/ turvos
como a noite
como o país.

4.

A TARDE

a tarde sangra

sangria desatada

corte visceral

a tarde está vermelha

e jorra

jugular espessa

exposta

os olhos saltados

a tarde agoniza

a tarde

lentamente

matadouro de tudo

matadouro

lento

desatada sangria

visceral corte

simétrico

as entranhas

da tarde

expostas

ex   pos   tas

ex

pos

tas

5. A MORTE POR UM FIO

A noite interrompida.

O corte.

Telefone estridente.

3 horas da manhã.

O filho chegou?

O pai já tomou seu remédio?

A mãe está com taquicardia?

– Tragam um copo d’água,

pelo amor de Deus!

É fato:

Boa notícia não chega às 3 da manhã.

Aos tropeços o coração

atende.

Petrificados,

mãos e ouvidos:

– Desculpe, foi engano…

A morte resolveu mudar

de endereço.

6.VOO LIVRE

Sem grades ou cortina

A janela aberta

O pássaro vem

(verde-oliva)

e pousa

repousa

na retina.

7.

POÉTICA

Um poema dá trabalho

Noites a fio

Dias a desfiar

Toda uma existência

Tecida e destecida

Noite a noite

Dia a dia.

O VERSO E O REVERSO

Leo Barbosa

O verso e o reverso

Em um invólucro, para proteger-me de mim e do mundo, sou incoerente: não quero tamanha proteção. Que o mundo me afete, mas não me faça perder o afeto. Talvez já seja um tanto tarde demais, mas ainda me resta um pouco de delicadeza. E eu vou entre contrações e descontrações. A cada dia me (re)parto na ávida busca pela unicidade. Antes, ser plural. Mas meu corpo se desencontra da minha alma. Esta perde calmaria; aquele clama por movimento, compromissos e a agenda cheia.

Preciso aprender a conduzir meus anseios, minha extrema vontade de fazer passado, porque tanto almejo o futuro. Aprender a me desarmar diante dos desacontecimentos, porque sempre há algo implícito em cada texto e eu, às pressas, não consigo vê-lo. São valores que transcendem o inacabado que há em mim.

No templo do tempo há uma logística que não assimilo: não adianta ser como um rio porque estamos em períodos de seca. Deixamos ressecar nosso amor quando o orgulho deveria se evaporar. Agora “pretendo descobrir/ no último momento/ um tempo que refaz o que desfez/ que recolhe todo sentimento/ e bota no corpo uma outra vez”.

Mas o corpo fenece. Amor não deve ser posto no corpo porque senão enruga. É no mais recôndito de nós que o mistério sobrevive. Corpo é sagrado e a fé se mantém à socapa como semente que promove o milagre da ressurreição dentro da terra. Será esse o motivo de sermos enterrados quando morremos? Há quem se aterre ainda em vida…

Sou eu e meu açoite. Sou eu fazendo noite durante o dia, construindo cercas quando deveria edificar pontes. Quero uma nova forma para esta realidade: emolduro-me para durar. Para tanto, preciso do auxílio das palavras. Com sua mística, vou transformando o mundo a partir de uma lógica que nenhum dicionário pode assimilar. O verso e o reverso. A cena e o aceno. Faz-se necessária a simbiose entre aquilo que sei e o que a poesia tenta revelar.

Vou seguindo rios, mas meu amor é riacho. Se não fosse a poesia, eu já teria fenecido por saber o quanto estarei debilitado pelo tempo e pelos desamores que (des)comportarei. Que as cicatrizes me lembrem a capacidade de regeneração e que agora a carne está mais difícil de ser cortada. Sangue pra que te quero! É preciso essa sangria – ainda que queira retornar à infância e incorporar a figura do herói; aquele que não teme os obstáculos, o invencível.

Sob a guarda dos símbolos professo minha liturgia diária. Atento aos sinais, lutando para deles não ser refém. Por mais que se condene a mesmice, é nesta que encontramos guarida. Ah, mas eu prefiro o labirinto, o segredo e a novidade. Quebro a cabeça, recolho os meus pedaços, faço o meu mosaico, construo a minha casa e tento me habitar. Preciso viver confortável em mim mesmo.

Leo Barbosa é professor e poeta

SIM, A GRAMÁTICA

                                          Sim, “A Gramática”

 ArquivoExibir

         Uma gramática (na acepção de um manual com regras de bem falar e escrever) que se preze explora as diversas possibilidades de estruturas linguísticas, considerando os aspectos fonéticos, sintáticos, morfológico, semânticos e pragmáticos. Em razão disso, os concursos públicos tendem a ser cada vez mais capciosos na elaboração de questões. Não basta se ater apenas ao nomenclatural, embora essa perspectiva ainda seja predominante em muitas bancas, por isso tornou-se necessário uma obra que pudesse ser tão ardilosa quanto as provas de concursos. Trata-se de “A gramática para concursos públicos” (Elsevier,2013), de Fernando Pestana.

     Confesso que relutei muito até adquirir essa gramática. Primeiro: achei tamanha pretensão o uso do artigo definido “a” no título. Sabe-se que o “a” tem como função definir e dar destaque a nomes. Por exemplo: “Pestana é o cara”. Infere-se que não seja “um qualquer”. Segundo: fui preconceituoso. Como quem evita ler best-sellers por desconfiar da qualidade, evitei adquiri-la diante do quanto a gramática era tão falada. Mas não estamos nos referindo a uma literatura de massa, mas a um livro técnico, cuja  leitura costuma ser feita por pessoas mais instruídas.

    Havia algo de errado. Sim, eu não estava certo. “A gramática” me surpreendeu, embora a princípio eu tenha estranhado a linguagem tão despojada. Entretanto, ao longo da leitura, fui percebendo que o “linguajar pestanês” é, na verdade, a maneira com que o autor vai nos conduzindo ao saber gramatical: “mata a oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo” e mostra o sujeito. O tom é de diálogo, mas também é sério. A seriedade do trabalho de Fernando Pestana é explicitada ao analisar as questões, minuciosamente. Quando expressa que seu trabalho envolveu profunda pesquisa, nos revelando as contradições, os prós e contras, os “poréns” dos distintos prismas dos gramáticos, confrontando-os, a exemplo de Rocha Lima, Evanildo Bechara, Celso Cunha, Napoleão Mendes de Almeida, passando por Mattoso Camara Jr e pela conceituada linguista Maria Helena de Moura Neves.

   “A gramática para concursos públicos” promete “teoria profundamente completa”, “indicada para todos os concursos”, “as mais recorrentes polêmicas gramaticais em concursos” e “mais de 1.300 questões atuais e comentadas”. Cumpre com tudo.

   Mais do que conhecimento, Pestana demonstra paixão e cumplicidade pela Língua Portuguesa. Somente um especialista e pessoa tão jovem, mas com tamanha avidez, conseguiria escrever uma gramática com mais de mil páginas. O fato de compilar 1.300 questões já demonstra o quão hercúlea foi a sua tarefa.

    Tenho mais de vinte gramáticas em casa, entre normativas e descritivas. Conheço as principais gramáticas para concursos publicadas no Brasil. Sim, esta é a melhor e mais completa. Que me desculpem os colegas. Pestana reuniu tudo que pôde. É a primeira da categoria que contempla “variedades linguísticas”, “reescritura de frases”, além de abordar “pressupostos e subentendidos”. Destaque também para os capítulos “Semântica e Lexicologia” e “Artigo”, sendo este, geralmente, tão pouco explorado e bastante negligenciado em várias gramáticas. Pode ser que nas próximas edições seja acrescentada ao volume uma ou outra informação, mudança de questões, reformulação de alguma escrita, mas o grande pilar que sustentará o concurseiro já está sedimentado. Não há meias palavras nem prolixidade.

    Outra novidade, ou diferencial de “A gramática”, é que esse arrojado trabalho de Pestana demandou constantes consultas à Academia Brasileira de Letras (ABL) e ao VOLP (Vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa) quando surgiam questionamentos acerca das construções gramaticais, antecipando assim as nossas dúvidas. E como não mencionar o capítulo com as “questões comentadas da banca CQIP” (Centro de questões impossíveis do Pestana)?. Sendo este tão bem elaborado, beirando o genial, ao abordar questões “híbridas” e comentar com eloquência os vários instrumentais da gramática normativa.

     Creio até que, todo responsável pela elaboração da prova de Língua Portuguesa deva ler a obra do Pestana, porque, os concurseiros, depois de consultarem essa gramática – completamente – terão grande possibilidade de “fechar” a prova. Caberão, então, novas artimanhas linguísticas para induzir os candidatos ao erro.

    Depois de uma leitura atenta e integral, considerando os conhecimentos linguístico-gramaticais dos quais hoje disponho, são poucas as ressalvas que faço à “A gramática”: em alguns capítulos são feitas algumas menções a autores os quais não constam na referência. Creio que não foi por omissão, mas talvez um deslize diante do farto volume (ver p. 522 – tópico 3 como exemplo).

    No capítulo sobre pontuação, quando é abordado o uso da vírgula no polissíndeto é preciso considerar que alguns gramáticos julgam desnecessário o emprego dessa pontuação (ver p.734). No capítulo sobre orações coordenadas, p.664, faz-se necessário uma explicação mais detalhada sobre a diferenciação entre as orações coordenadas sindéticas explicativas versus orações coordenadas sindéticas conclusivas.

   Falta ao capítulo sobre compreensão e interpretação de texto um tópico sobre texto verbal e texto não verbal.

   No capítulo “Domínio do registro culto”, ao abordar as variedades linguísticas, o autor comete um equívoco por meio do uso inadequado da expressão “homogeneidade” (P.1003), quando afirma “que há homogeneidade na língua portuguesa do Brasil”. Qualquer linguista ou estudioso da língua, principalmente se for sociolinguista, sabe que nenhuma língua no mundo é homogênea, senão não haveria o porquê de se discutirem as “variedades linguísticas”. A língua portuguesa é heterogênea e por isso mesmo flexível, permeável e dinâmica. É claro que há um certo grau de “homogeneidade”, ou seja, algo que nos aproxima apesar das diferenças culturais e/ ou sociais, porque a língua é a mesma – o que muda é o registro, mas isso não a faz igualitária, pois, ainda que se defenda com todo o rigor as variedades linguísticas, sabemos que impera o “status linguístico” em virtude da dominação da gramática normativa como modo de afirmar a erudição de um indivíduo.

   No mais, “A gramática para concursos públicos”, de Fernando Pestana, deve ter presença garantida na estante de todo concurseiro que queira alcançar seu objetivo, como também de todo professor de língua portuguesa. Pestana mostrou-se não apenas um professor de Português, mas um pesquisador inquieto, sinalizando um caminho que é vasto, e por isso é que devemos percorrer este campo dialético (minado, mas florido) da língua portuguesa. Não é para desanimar, é para assumir o compromisso com os estudos, consigo e com a vitória. Como diria o autor: “não pode garotear”. E como eu disse a ele: “principeando” nos estudos gramaticais, vamos alcançar o majestoso (e tal almejado) êxito.

                                                                      Leo Barbosa é professor e poeta

SOS LETRAS

Leo Barbosa

(escritorleobarbosa@hotmail.com)

Sos Letras

Visando refletir sobre o ensino de Língua Portuguesa e de Literatura, criei o blog “Sos Letras”, que pode ser acessado através do endereço sosletras.wordpress.com. Como considero que um bom professor de língua materna deve ter conhecimentos tanto de literatura quanto de linguística, a proposta da SOS é abordar as áreas de estudos como indissociáveis.

No âmbito da Linguística não me guio apenas pela gramática normativa, porque um professor de Língua não deve se resumir a apenas o que a língua deveria ser, mas também como a língua é, portanto há também abordagem de caracteres descritivos e socio-interacionistas.

A língua não existe sem interação, sem uso, sem texto e contexto. Da mesma forma, essa página, ainda recente, não existe sem a participação de vocês, caros leitores. Espero que vocês sugestionem e dialoguem comigo sobre este universo rico e profícuo que é a língua portuguesa, que vai “muito além da gramática”, como diria a linguista Irandé Antunes.

No blog da “Sos Letras” vocês encontrarão artigos, dicas de leitura, vídeos, resenhas, reflexões sobre a docência e uma seção especial intitulada “papo letrado” na qual serão registras as entrevistas que farei com professores de linguística, literatura e escritores.

A página já conta com a conversa que tive com o primeiro convidado, o professor Chico Viana. Nesta entrevista foram abordados temas como “Enem”, “Ensino de gramática”, “Produção textual”, “Nova ortografia”, “A relação entre Psicanálise e Literatura”, além de algumas explanações acerca da obra de Augusto dos Anjos.

Leiam alguns dos questionamentos que fiz ao professor Chico Viana e, em seguida, as respostas: Por que os alunos passam onze anos na rede básica e a maioria ainda sai sem saber produzir um texto de qualidade satisfatória? “Por deficiência de leitura e de treino redacional. Como só escreve quem lê, é preciso levar os alunos a ler autores importantes da nossa literatura e conhecer bons modelos de gêneros textuais. O Enem pede uma redação argumentativa; para fazer bem isso é preciso conhecer textos de opinião produzidos por redatores qualificados. Boa parte dos problemas na redação decorre do desconhecimento da língua; a escola deve, então, ensinar uma gramática para o texto a partir da escrita dos alunos, que devem se exercitar refazendo suas produções. Infelizmente isso nem sempre ocorre nas escolas, e o estudante fica sem saber onde e por que errou.”

Augusto dos Anjos é o poeta brasileiro mais lido no mundo, principalmente na França ao lado de Baudelaire, Rimbaud e Verlaine. […] O que falta para que esse poeta seja estudado efetivamente nas escolas paraibanas? R. “É preciso, primeiro, que os professores percam o medo de levar Augusto para a sala de aula. Perdido esse medo, é importante que saibam introduzi-lo, escolhendo textos significativos da sua estética e visão do mundo […].

Outras perguntas serão feitas a mim mesmo e a todos que queiram refletir sobre o ensino de Língua e Literatura.

Leo Barbosa é professor de Português e poeta