NÚMEROS APENAS (poesia para tempos de sangue)

Os números não respiram.

Contemos:
duzentos, duzentos e cinquenta mil…

Em três versos, mais um
(outros são entrelinhas).

Como tudo que é sagrado, o ar
escapa à nos
sa compreensão
(escapa à milhares de vidas).

Este é o pão que partilhamos.

Cada voz perdida sem ar (sem respirador)
é um numero indigente (a indiferença abraça)
com calma e violência (a morte alcança)
de pulmões cheios de terra.

Contemos:
duzentos e noventa trezentos mil…
(transbordam prontuários)

A indiferença é uma forma de inexistência
em que nos falta o ar.

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