metamorfose

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não ter as pernas de anos atrás rijas como cenouras
saudáveis e enterradas em buracos no mesmo ciclo
rotativo de terras: ser a mesma nas renovações dos
plantios trazer ranhuras que nunca mudam de lugar
ser um par de pernas sugado pelas areias movediças
vezes sem conta até que chega essa derradeira hora
a um minuto do espanto a segundos da necessidade
escapar rolando de mansinho ultrapassando o cerco
hoje dei para não ter mais as pernas: desconheço-as
desconheço os solos para onde sempre me submergi
hoje só dei para migrar como migram as andorinhas:
levo a terra sob as asas na quina dos ossos à partida
trago o coração no bico para saber me guiar na volta


(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital é assistente editorial da editora Patuá, editora-adjunta da revista Mallarmargens, mestranda em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa e estagiária na editora Ponto de Fuga. Autora dos livros de poemas "Lux" (Penalux, 2015) e "Passagem" (Patuá, 2018) e da plaquete "Perspectiva", publicada pela revista Mirada (2020). Tem poemas e traduções em revistas, jornais e suplementos literários do Brasil e de Portugal, além de publicações em antologias. Foi uma das curadoras da 4ª edição da coletânea "Carnavalhame" (2020) e participou, junto da revista Mallarmargens, da organização do "9º Raias Poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento". Foi uma das curadoras do "1º Templo D'Escritas: Festa Literária Internacional da Língua Portuguesa".

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