MEMÓRIAS VELHAS (poesia para tempos de sangue)

Se pudesse respirar (eu queria mais ar),
pensaria em escrever qualquer coisa
mas não penso claramente coisa alguma.
Isso não é caso, nem conversa mole, pois bem.
A velhice já foi das pessoas e era plena.
Além dos oitenta; quase árvore em essência.
Tanta conversa em praças que já não existem.
Não é nostalgia (eu queria mais ar),
era um país em que o tempo se estendia.
Veio a vez da fala vazia, da carteira vazia,
da falta de empatia com a barriga vazia.
Veio a vez da perversidade acolhida e nenhuma partilha.
Dia após dia a perversidade fazia a mesa e se servia
dos corpos, dos ossos, das almas, dos dias (eu queria mais ar).
A pessoas se acostumaram.
A perversidade continuou.
Eu entendi a perversidade de acostumar-se com a milhagem da morte.
Eu queria mais ar, mas já vão desligar.

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