ZÉ MARIA (poesia para tempos de sangue)

estou cansada
tão cansada que me tremem as mãos
as pernas falseiam o passo
e já não posso dormir
pois me sobressalta o ar
dispara o peito
que não bate nada

estou cansada
como se me gastasse
os ossos uma lima
o pó acumula-se abaixo
incessante
incessante
incessante

e daí?
estou cansada e sei
que ninguém se importa
eu não tenho pele e o ar
foge pelos sinos vazios
ainda assim suspiro
estou cansada

um cansaço da moléstia
de me partirem os ossos
de cair duzentas mil vezes cansada
ainda assim me perguntam
pra que essa angústia?

certa como deus é brasileiro
eu não sou coveira
pra abrir tanto loteamento
só entrego a sala rasa
que a cada um cabe no solo da pátria

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