Poema (1) de Lázara Papandrea

Imagem: Pinterest.com

I-

Me doem os ombros

A virilha, o sexo,

O amor.

É quinta-feira de

Um tempo bem pesado

A chuva não desce

Só escoa pelo asfalto

O suor das pedras

O engulho farto

O grito preso, a barriga

Grande, a seringa,

A insulina.

O cabelo da moça

Atrapalhando os olhos

O sorriso da moça

Sem sal.

Estamos todos doloridos

E abafados.

Estamos com medo

E vamos ao mercado

Sabão e suor

Sabão e suor

Não há o que baste

Lavar a pele

Lavar a carne

Lavar o osso.

E a dor já dilacerada

É maior que a estátua

Da liberdade

É infinitamente maior

Que o Taj Mahal

E tão quente como

O vale da Morte

Ou o Raso da Catarina

No verão de 2016.

Me dói o útero

Agora tão vazio

O espaço, o vácuo

As mãos

A respiração ofegante

Quantas máscaras

A arrancar de mim?

Quando a chuva não vem

Não há razão nenhuma para

Respirar hortênsias

Entretanto a cor púrpura

Me persegue

Desde o nado.

O jardim do Éden

Estrangulado

A carne podre

O cão cansado

E no rádio uma canção

De amor.

Lázara Papandrea

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