DOIS POEMAS PARA MATAR A ESPERANÇA (poesia para tempos de sangue)

MATAR A ESPERANÇA, VERSÃO 2020

o direito de brincar na rua
o direito a merenda boa
o direito de subir em árvores
o direito a ficar à toa

pular na calçada e merecer a farra
a liberdade é pouca e a vida um dia
será lembrança do enquanto

lá na esquina um rastilho de metal azul

as vozes
as avós
as vidas
mais que sentidas
no lapso do espanto

sete anos acabam
parecem menos que quatro
menos que este verso
que não tem crianças

MATAR A ESPERANÇA, VERSÃO 2019

o antipássaro vigilante
abre suas asas de metal
sobre todas as crianças

o céu entrou pelas costas
não mais que um instante escarlate

oito anos passam
muito mais depressa
que oito versos

NOTA: Chove copiosamente no Rio de Janeiro na noite de sete de setembro do ano de sangue. Não mais que o pranto das mães e avós de crianças abatidas à bala.

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