QUEM ARRUMA A CASA? (poesia para tempos de sangue)

Acontece que a cidade morre
igualzinha àquele parente.
Lembra, de sangue quente?
Quem vai arrumar a casa
trocar a lâmpada
limpar a calha
e a geladeira?

O ar está sujo.
O quintal está sujo.
O nome está sujo.
O pleito está sujo.

É insolúvel esta tarde contaminada.

Sangue e radiopatrulha,
corre-corre sem rumo.
Não tem trave na rua.
Não tem festa no bar.

O mormaço do subúrbio
tem cheiro de lama seca,
cisterna vazia,
suor e poeira.

É impossível respirar a conjuntura.

As águas pluviais
e as lágrimas da população
encontram seu caminho
embaixo da terra.

É a cidade que morre de amargura.

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