Em memória, Poema de Marcus Vinicius Quiroga

lampejo

Imagem: Pinterest.com

 

LAMPEJO, RELÂMPAGOS, INCÊNDIOS

 

Aprendi que a luz justa

é a que faz voluntários

     arregaçarem as mangas

           e sujarem as mãos

como, se juntos, fossem filamentos

     da mesma lâmpada

Também aprendi na luz baixa

             de uma São Luís pobre que a luz

      pode ser mais alta

como um susto na escuridão,

como um sobressalto

Há luzes várias nas coisas e nos homens

e elas nos escondem

              de nós, quando cegas

sem a  expectativa

          de uma vida diferente

ou diferentes formas de convívio

                               de escrita

                               de política

Há luzes que trazemos desde cedo

e exibimos no rosto

e por elas somos reconhecidos

               como um número de identidade

               ou uma mancha na pele

               ou mesmo uma cicatriz

Aprendi em dias distantes que o escuro

adere ao corpo

                    às vezes até a morte

e as horas se parecem

com outras sem ruptura

Então é preciso que luzes

sejam semeadas

         como um grão

                             e aguado seu cultivo

para que de repente

haja em mim

na família, no país

                uma espécie de incêndio

cujo fogo se alastre

nas mãos de iniciativa

               para que a vida seja feita

às claras

e se revele por inteira

sempre que uma luz dispare,

vinda talvez da infância,

                      o lampejo do desejo

ou o eterno momento-relâmpago

 

Marcus Vinicius Quiroga

2 ideias sobre “Em memória, Poema de Marcus Vinicius Quiroga

  1. Husten Carvalho

    Que sensibilidade, que defesa pela humanidade. Que bom reconhecer em seus versos o sentido para eles existirem. Triste ao saber que um ser tão sensível à justiça, tenha partido. Lamento.

    Resposta
    1. profleitao Autor do post

      Verdade meu amigo Husten, uma tristeza saber que perdemos pra esse vírus uma sensibilidade assim. Fiquei pensando que ficaria muito bonito você declamando esse belo poema de Marcus Vinicius QUiroga. Sigamos com a poesia dele!

      Resposta

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