bisturi n. 3

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Arte de Christian Schloe

são precisos uma sobriedade medonha e um par de colhões
para que me vejam pelos olhos pela mesma altura dos olhos
e renegar meu próprio corpo por bocados de olhos mirando
retos e exatos naquilo que escrevo: eu cubro bem as pernas
tento não render assunto qualquer brecha é um risco tênue
entre me portar mal ou ser demasiado simpática. virei uma
criatura pura e simplesmente uma criatura de falas tímidas
com o nariz sempre encaixado em uma entrelinha para que
nem meu suspiro denuncie a mim nem ao meu esconderijo
e sigo me acostumando à ideia de ter paz em coçar colhões.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Estudos Literários pela UFMG, atualmente cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Penalux, 2015) e Passagem (Patuá, 2018). Tem poemas e traduções publicados em revistas, blogs e jornais – virtuais e impressos – como Germina, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Acrobata, Equimoses, Zona da Palavra, RelevO e Caliban. Também participou de antologias como 29 de abril: o verso da violência (Patuá, 2015), Ventre Urbano (Penalux, 2016) e Porque Somos Mulheres (Ser MulherArte, 2020). Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame (2020). Tem poemas traduzidos para inglês e catalão. Contato: amandavital@live.com

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