dissimulação

Girl Fishing

“Girl Fishing”, de John Singer Sargent

pego um poema como quem pega uma vara de pescar:
passiva, mas atenta. há uma falsa serenidade no poeta
por saber esconder muito bem a sua fome. fincar iscas
no anzol verificar se estão seguras lançar a linha n’água
esperar que o primeiro peixe entorte o bastão sentir os
dentes a língua secos de não poder falar nem se mexer
estar lá por horas com o mesmo corpo já dormente e a
mesma oração a são sebastião viciada na necessidade
pedindo fartura e paciência. um poema é tão desespero
quanto benção: pego-o como quem não espera por ele.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Estudos Literários pela UFMG, atualmente cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros 'Lux' (Penalux, 2015) e 'Passagem' (Patuá, 2018). Tem poemas e traduções publicados em revistas, blogs e jornais – virtuais e impressos – como Germina, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Correio das Artes, Acrobata, Equimoses, Zona da Palavra, RelevO e Caliban. Também participou de antologias como '29 de abril: o verso da violência' (Patuá, 2015) e 'Ventre Urbano' (Penalux, 2016). Foi curadora da 4ª edição da antologia 'Carnavalhame' (2020). Tem poemas traduzidos para inglês e catalão. Contato: amandavital@live.com

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