paliativo

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Foto: Flickr

não tenho grande tempo para dizer da tristeza: há algo
de privilégio em poder contemplá-la. penso por alto em
meus dias contando moedas na sensação de poder ter
a própria tristeza sob um domínio fixo na fala e no grito
e me espanto. é trabalho de anos reconhecer a tristeza
essa filha que cresce tão rápido e nem se percebe suas
mamas seus hematomas seus novos costumes. sinto a
necessidade de sacudi-la pelos ombros tornar a manter
a porta do quarto trancada deixar sem janta e sem colo
sabendo que ela foge pela janela do quarto demorando
para retornar. ser uma mãe desnaturada para a tristeza
em silêncio e falta. voltar a contar as moedas das mãos.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG, vive em Óbidos e cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. É autora dos livros Lux (Penalux, 2015) e Passagem (Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Contato: amandavital@live.com

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