ILHAS

ilhas

Imagem: Pinterst.com (Dyanne Williams)

 

 

Enquanto os gestos

engolem e travam o tempo

em mim

os restos de pão

continuam a desabar

do prato à pia

do ralo ao vão dos mundos

e dos canos

redes que interligam

toda a indiferença

 

Enquanto a noite

é única e individual

em mim

o coro dos carros

roem o pó e o piche

intermitentemente

 

ninguém mais enxerga

ou se cobre na mesma noite

que eu

só o meu casco é que interessa

o meu sorriso

só é riso e dor dentro de mim

nem o espelho cuida da minha

pele ou da minha tristeza

 

só há cada ilha que somos

invisíveis pro mar

pros navios

pros marujos

pras outras ilhas

e tudo que se passa dentro

do corpo e da carne ilhados

é só solidão e, ás vezes,

doçura.

 

Márcio Leitão

 

 

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