padroeira

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Arte de Amanda Greavette

para Marta Dutra

marta vê nascer um poema de alguém como se fosse
um filho: pajeia e bendiz. carrega os versos dos outros
nos braços com o mesmo dom das parteiras. gosto de
pensar que marta sabe do momento de ferver a toalha
estimular a barriga e esperar a paciência dos instintos.
marta segura o poema ainda sujo de sangue e observa
seus primeiros sinais de existência sempre curiosa nas
tantas noites de mães insones. do mesmo jeito, marta
vê nascer e cair o sol no final do mar com a atenção de
quem lê. marta sabe que, ainda que o sol e os poemas
apareçam todos os dias, é ela quem escolhe como vai
recebê-los. a praia segue cheia de umbigos enterrados.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Estudos Literários pela UFMG, atualmente cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Penalux, 2015) e Passagem (Patuá, 2018). Tem poemas e traduções publicados em revistas, blogs e jornais – virtuais e impressos – como Germina, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Acrobata, Equimoses, Zona da Palavra, RelevO e Caliban. Também participou de antologias como 29 de abril: o verso da violência (Patuá, 2015), Ventre Urbano (Penalux, 2016) e Porque Somos Mulheres (Ser MulherArte, 2020). Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame (2020). Tem poemas traduzidos para inglês e catalão. Contato: amandavital@live.com

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