pausa

29133578_1763466010358847_6901521475631466794_n

Arte de Roby Dwi Antono

para as amizades que virão

não quero saber do afeto que não me pegue pelo braço
e que não tenha uma presença tão enérgica que chegue
a irritar. eu quero ser irritada: já ando aí exausta de pular
de um campo de batalha a outro ando aí e nem percebo
se me pisam os pés. eu quero ouvir histórias que sequer
me interessem minimamente reparar em manias imbecis
ser arrastada para um exame de sangue qualquer e ficar
duas horas na sala de espera ouvir uma risada enjoativa
que tenha tanta sinceridade que me perturbe me zangar
com um par de dedos atirando meu cigarro pela calçada
ter que levar com alguém dizendo não fume nunca mais
que me roube o maço a amargura o conforto: esse exílio.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG, vive em Óbidos e cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. É autora dos livros Lux (Penalux, 2015) e Passagem (Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Contato: amandavital@live.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s