bisturi

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Arte de Asta Norregaard

eu não quero saber desses afetos da palavra:
leia minha poesia me olhe nos olhos e diga se
é boa ou má. não me toque pelos ombros não
me imagine despida não tome meu partido em
rixas. mas me leia como lê os seus comparsas.
com o mesmo cuidado e fundura, talvez calma.
sobretudo me leia como quem busca os óculos
para examinar um corpo. me leia com as mãos
cobertas de álcool em gel. eu não quero saber
desses afetos do lado de fora da palavra: atrás
da porta, tudo é ruído e espera. se quer me ler,
leia como alguém que não goste tanto de mim.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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