Poema (5) de Jennifer Trajano

henna

Imagem: Pinterest.com

henna

 

como o reflexo que passa

rápido no negro da pantera

assim teu desenho suporta

meu corpo – tão suporte

quanto uma abortada fuga

 

paro um instante como

param as pequenas tartarugas

levadas pelas águas, das que

preferem não voar, das que

querem tua mão, reflexo que

 

passa devagar no tigre branco

– luz confundida com a pele

assim desejo teus dedos do

lado de dentro: como quando

se sente levemente o mar bater

 

na altura da boca, sem a agonia

dos lagartos dançando para pular

do bico das aves que tiveram medo

de atacar algo maior, porque o voo

é leve, o cigarro acaba, a dose se perde

 

no corpo. quero que dose as mãos

com a tinta da dor inventada e comece

a riscar meus pés, primeiro passo

no mar. depois suba como sobe o sal

ao sol, ardente, bronzeando o pelo

 

da pantera na cor do tigre branco

mas quando chegar à boca não afogue

empurre o corpo na onda que dá espaço

para outra anatomia, por não poder

jamais tocar apenas uma única pele

 

Jennifer Trajano

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