LIBAÇÃO (poesia para tempos de sangue)

Logo será a terceira hora.
A penumbra da noite há muito alta.
Não me reúno. Encontro-me só
Na minha espera pela alba.

Os murmúrios da rua cessaram.
A vida está insuportável.
Não cabe no corpo, não sai no jornal diário
Que a morte está insuportável.

A espera e o peso da vida.
A espera é o peso da vida.

Dentro, o descontentamento ilumina
Distâncias obscuras como pesadelos, fome , olho seco.
Meu medo é pensar que se perde a vida
Mesmo apoiado no umbral da porta, a bala passa.

Sento-me para escrever sobre a vida na cidade.
A nova face do medo, ao longo da mesa, serve-se da minha mágoa.
Veio beber meus pensamentos e brindamos:
Aos santos esquecidos das encruzilhadas suburbanas.

A taça que não bebo,
Ainda assim me mata!

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