pardal

Sir_Edward_John_Poynter_lesbia_and_her_sparrow

Arte de Sir Edward Poynter

hoje sonhei que meu pai era homem e era pássaro
podia migrar de uma forma a outra dentro de meu
sono corria e saltava para levantar voo em seu par
de asas castanhas bicava-me os cabelos e braços
abanando um vento tranquilo seguia como pedisse
para deixá-lo guiar: meu pai de frente ao meu rosto
uma ave rajada tão pequena às voltas incansáveis
ia me passeando nas praças nas portas de igrejas
ciscou uma hortênsia seca a um canteiro qualquer
pousou em um campo de futebol onde os meninos
jogavam recolheu as penas criou os pés descalços
pediu para pontuar todos os gols com giz branco à
escada de concreto. eu me lembro que ele fez dois
e já não pude distinguir mais o homem do pássaro.

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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