avalanche

GirlMirror

“Girl at Mirror”, de Norman Rockwell

posicionar o corpo de joelhos: o tronco voltado
para a frente a escova de dentes pela metade
dentro da garganta todo dia depois do almoço

os cabelos amarrados a maneira de abafar os
ruídos e de esconder os laxantes debaixo das
meias sentir a tarde definhando carne adentro
e os ossos da bacia se encaixando nos dedos
ver estrelas ao final do dia as paredes escuras
rodando o suor frio rodando voltas ao pescoço
onde as saboneteiras já despontam delicadas
como ficam no colo das meninas bonitas essa
fraqueza nas pernas suspirar de fascínio entre
os dois lábios e a acidez impregnada na úvula

morrer à frente do espelho em um único sopro

 

(Amanda Vital)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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