Poema (1) de Rafael Mendes

poeta polonesa

Imagem: Pinterest.com

 

polônia

quando a mão empunha caneta

sobre o papel ainda virgem

no mais da vezes viaja

como andarilho que desvenda

o mistério de um cume

ainda intocado pelo conhecimento dos mapas

 

no curso da viagem verbal

não há norte estabelecido

nem sol que nasce no leste

trazendo primavera e mistério

duma tão antiga ásia

 

sim, talvez o traçado da tinta

busque dar conta de questão ínfima

e a resposta seja longa o bastante

para tornar habitáveis os gélidos

anéis de saturno e o inescapável

coma de putão

 

tantos poemas rompem com incisiva força

dos ligamentos da mão inquieta

deve-se perguntar se toda força

é provida de propósito e sentido

 

este caminho aqui traçado

extensão dum sóbrio poema

da poeta polonesa que me sorri

empunha, nao caneta, mas o cigarro

 

necessário entender o veganismo

destas palavras avulsas

regurgitadas após a antropofagia

da leitura do grão de areia

escrita tão orgânica

resultou numa peça

que nasceu e viveu

sem o autor saber por que

 

sim, neste poema nada acontece

resta apenas a imagem do cume inóspito

rodeando o andarilho

 

Rafael Mendes

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