VOLTAMOS À PROGRAMAÇÃO NORMAL (poesia para tempos de sangue)

O mundo está ardendo
Está quente, muito quente
A esperança crepita
A terra estala sua pele
Carbonizada —
Nenhum chão sob os pés descalços.

O país está ardendo
Mente-se muito, sabe-se menos
Quem dera um mestre
Fizesse passar essa dor
Desumana —
Ninguém acode descamisados

A cidade está ardendo
As armas e os barões já dispararam
As mães gritam suas crianças caídas
Em pedaços lado a lado ao inefável
Descaso —
Não há vida além deste mandato.

Voltamos à programação normal:
É impossível ser feliz
E informado.

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