família

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enterraram-me as rosas e deixaram-me os mortos
vagando sobre as cidades os ossos tilintando pelo
centro os corações dependurados de sangue seco
nada além do sorriso de seus crânios no esqueleto
frio nada além do hábito de vagarem em conjunto
perseguindo as flores em dia de finados nada além
de deitarem cada vez mais seus coágulos cerebrais
pelas lápides dos que ainda vivem dentro da língua
entre a memória e o verbo os mortos já não sabem
do calor da carne dizem ter problemas em recordar
do toque das pétalas e do cheiro eles já não sabem
a vida é uma lápide por escrever é uma urna aberta
é a última tábua a ser martelada até que se apague
o sol sob a terra e os mortos não souberam semear
regar atirar para baixo da terra os mortos só sabem
dessa clausura de nunca saber o lume ou a lágrima

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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