distância

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“Morning”, de Eric Zener

para Pedro

no lado da cama que guardei a você pendurado
em duas voltas um rosário de pérola com a cruz
voltada para a frente: se existe mesmo proteção
que te guarde primeiro e que te salve em dobro
deixo três travesseiros em linha reta ensaiando
o volume do seu corpo sob a coberta de flanela
antecipo nosso jeito de dormir mantenho fresca
e cheia a garrafa d’água o abajur com luz acesa
a janela entreaberta para ouvirmos os carros de
som com promoções de supermercado o preço
do fubá ecoando em meu bairro um isqueiro no
criado-mudo junto de um quartzo rosa lapidado
que é quando eu não acredito em uma ou outra
conta do rosário em meu lado suspiro a espera
tateio a noite representada em seu devido lugar
preservando o templo com a quentura das mãos

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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