carapuça

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“Writer”, de George Condo

o poeta contemporâneo gosta das discussões entre
panelinhas gosta de falar dos nomes e dos adjetivos
e daquilo que foi verbalizado fora do papel impresso
gosta tanto das revoluções inacabadas entre o dedo
e o pertencimento o poeta contemporâneo leva seu
corpinho mirrado ao fundo dos saraus toma uísques
com água de coco na calçada e diz sou marginal aos
berros corridos de sua garganta puída do seu cigarro
de menta às vésperas da décima segunda oficina que
ministra na zona sul onde paquera algumas calouras
da universidade ouriçadas com a erudição importada
direto da bibliografia dos ensaios de seus comparsas
o poeta contemporâneo dá tapinhas nas costas como
quem pede aliados a seu próximo linchamento virtual
enquanto adia os versinhos os plágios afinal a poesia

(Amanda Vital)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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