Poema (1) de Diana Andrade

malcilm liepke

Ilustração: Malcolm Liepke

Não me queiras, homem

Se queres a minha boca,
mas desmereces o que nela é grito
e o verbo com que luto,
não me queiras, homem.
Se queres olhos que te fitem,
sem olhares comigo na mesma direção,
nem compartilhares o horizonte em que não nos bastemos sozinhos,
não me queiras, homem.
Se me queres ouvidos,
e não me falarás de teu amor pelo mundo,
pela gente, por outros que também encarnem a ti,
não me queiras, homem.
Se me queres às pernas,
mas não te importa o caminho que percorrem,
nem as barreiras que saltam para irem tão longe quanto possam,
não me queiras, homem.
Se me queres mãos de te tocar,
e não estarás na rua quando eu for punho,
cerrado, erguido, sendo mais do que artesã de ti,
não me queiras, homem.
Se me queres à cama,
e és indiferente à razão do meu levantar,
todo dia, com a coragem das que acreditam,
não me queiras, homem.
Boca e grito, olhos e horizonte
ouvidos e escuta, pernas e caminho
mãos e punho, alcova e levantar:
se me queres,
eis-me.
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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre luisagadelha

Luísa é graduada e mestra em Letras, graduanda em Filosofia, ama literatura desde sempre e quadrinhos há alguns anos, tem preferência por romances (longos), sejam clássicos ou contemporâneos e se esforça - ou nem tanto - para ler mais poesia. Isso quando não está vendo séries.

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