tio

2-alone-kovacs-anna-brigitta (1)

“Alone”, de Kovacs Anna Brigitta

esquivar-se das mãos: esquivar o corpo para os lados
correr em torno da mesa da sala imaginar que aquela
volta era a última segurar o choro no abraço obrigado
tapar a janela lateral do banheiro com as roupas sujas
escolher o assento mais distante jantar evitando erguer
a cabeça passar os olhos por cada caroço de feijão ao
esperar todos se levantarem para arquitetar o segundo
exato de me salvar entre as pernas compridas de papai
me lembrar de não ler os gibis de bruços no sofá e de
nunca estar sozinha em qualquer espaço daquela casa
não correr o risco dos dedos perfurando o que restava
das partes intocadas sobre minha mudez tentar dormir
e sonhar a liberdade da pele no fim das férias de verão

(Amanda Vital)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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