domingo

ffdf3108196a22db309dba0fe0dea98d

Arte de Lauri Blank

quando pequena minha mãe era quem me acordava
sentada sobre a colcha de retalhos que me cobria e
que antes de mim cobria a minha mãe e antes a avó

afastava o cabelo do rosto dormente limpava a baba
esperava meus olhos se abrirem enquanto cantava as
melodias que nós duas conhecíamos com um ursinho
de pelúcia nas mãos fazia o ursinho correr sobre mim

eu me levantava sob o primeiro riso sem nem alongar
o corpo ainda desengonçado chegando até a cozinha
ambas esperávamos a semana inteira para o domingo
quando não havia trabalho apenas o queijo frescal na
mesa com uma faca e uma canequinha para cada uma

a poesia me nascia materna: direto daquela felicidade
e do cheiro do café dela que eu nem bebia mas amava

(Amanda Vital)

 

Anúncios
Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG. Atualmente, cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s