Poema (5) de Eliza Araújo

karen lynch
Ilustração: Karen Lynch

 

[Saturno tem milhões de anéis]

quando você pede

pra deitar a cabeça em meu peito

descanso a mão sobre sua têmpora,

forma secreta de abençoar uma coisa viva

a paz do meu momento é sono, o teu

e tento entrar em teu sonho respirando no ritmo

da sua respiração : esvaziando a mente como se estivesse sobre o colchão tatame

em posição de lótus

passando pra frente pensamentos que não me servem

se já fui feliz assim, próximo

se ainda há pó de café no pote, próximo

aquela foto com minha família onde meu irmão morava, próximo

quem eu chamo de família, próximo

(…)

te amar me faz estar em paz com as coisas

espalho o tamanho disso pelas bordas dos nossos corpos quando você dorme assim em mim

tenho frio na mesma medida do medo

tenho praticamente o tanto de anos que me levou pra me saber livre

você me olha como se fosse o perdão em forma humana

e assim sinto que mereço todas as coisas que me afagam

inclusive a sua presença

e o ciclo que ela cria

entre o meu amor de mim

e esse que te tenho

e volta.

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre luisagadelha

Luísa é graduada e mestra em Letras, graduanda em Filosofia, ama literatura desde sempre e quadrinhos há alguns anos, tem preferência por romances (longos), sejam clássicos ou contemporâneos e se esforça - ou nem tanto - para ler mais poesia. Isso quando não está vendo séries.

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