armadura

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Arte de Morteza Katouzian

quando menina apertava os dedinhos na barra da saia
de algodão num canto via as colegas bonitas correndo
seus corpos de dente de leão suas levezas sem esforço
pelo pátio elas sabiam subir em árvores e pular muros
e sabiam dizer as palavras exatas para me derrubarem
de lá de cima as palavras pulavam sobre meus ombros

quando mulher aperto meus dedos embaixo do casaco
e crio forças para enfrentar a beleza hoje saio do canto
com os ombros tensos para não cair e crio meus pátios
acima das árvores e fora dos muros também sou leveza
recolhi do chão os ninhos caídos as sementes expostas
e dentro de mim habita uma ave há vinte e poucos anos

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Letras - Estudos Literários pela UFMG, vive em Óbidos e cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. É autora dos livros Lux (Penalux, 2015) e Passagem (Patuá, 2018). Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame. Contato: amandavital@live.com

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