A JANTA (poesia para tempos de sangue)

Vinte e duas horas. Os grilos conversam a cada árvore que restou na rua. Retiraram as árvores. Há barricadas nos cruzamentos. Um silêncio pesado nos desvãos dos muros. O estômago caminha junto com as pernas e os olhos, sempre adiante, já estão no portão depois do último poste. Depois do portão o cansaço. Depois do portão o abraço, o feijão, o arroz no prato e um trago. Prato raso e a TV com retrato do mundo. Diverso de tudo, o retrato mudo do rosto. O corpo trinca cãibras, antecipa a manhã. A esperança parece descer pela pia.

Vem mãe, ver as luzes.
Vem mãe, ver o céu.
Respingos de fogo
As luzes no céu.

Incêndio de aço e lágrimas distantes
poesia para tempos de sangue

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