DEPOIS DO ALARME (poesia para tempos de sangue)

acendeu o fogo
o bule e a água pra esquentar
o coador e o pó de acordar
antes da luz a madrugada se cala
a brisa circula nos postes
e o trabalhador tem que se levantar
o corpo se curva à rotina
aos preços
à poeira dos cantos
ao ônibus lotado
o corpo é menor que o bule
o corpo também ferve
o corpo é feito de sono e se ergue
o corpo é o trabalhador sem pertencer ao trabalhador
assim como a vida é bela sem conseguir ser alegre
o que importa o fogo a vida imensa ou menor
ou parte que complete-se em arte

o sono do trabalhador não volta
ainda que se perca
a hora

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