CATADOR (poesia para tempos de sangue)

passou-se uma noite horrível
esta vida é contar desgraças
e contar os corpos
e cortar a carne
e contar os dias
até o sonho impossível

passou uma viatura pela rua
quando voltou veio com a peste
com tapa na cara costela quebrada
carteira rasgada e fome de guerra
de sangue de gente curvada
inerte deitada sem voz pras balas

os atentados consentidos
os braços do estado estendidos

sem perícia que contenha a realidade

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