ditado

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ainda que se beba águas radioativas ainda
que se fume um maço e meio por dia ainda
que se peque que se fuja que se adie ainda
depois de seis copos de vinho na sala vazia
ainda os pés estáticos na rotação dos anos
viver ainda é se aproximar da vida – porque
só se aproxima da morte quem leva agulhas
em mãos furando a película do mundo e só
se aproxima da morte sob gritos de angústia
da legítima angústia que faz perder de vista
a beleza do mundo e que faz beber o último
gole de consciência líquida enquanto se fere
a película do mundo sob a ponta das agulhas

(Amanda Vital)

Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Estudos Literários pela UFMG, atualmente cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros 'Lux' (Penalux, 2015) e 'Passagem' (Patuá, 2018). Tem poemas e traduções publicados em revistas, blogs e jornais – virtuais e impressos – como Germina, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Correio das Artes, Acrobata, Equimoses, Zona da Palavra, RelevO e Caliban. Também participou de antologias como '29 de abril: o verso da violência' (Patuá, 2015) e 'Ventre Urbano' (Penalux, 2016). Foi curadora da 4ª edição da antologia 'Carnavalhame' (2020). Tem poemas traduzidos para inglês e catalão. Contato: amandavital@live.com

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