CORTEJO (poesia para tempos de sangue)

Nada mais aqui lhe cabe. Nenhuma fala bela
acompanha a procissão. O baile em velas parte.
Palavras mudas em um sonho, veio abaixo com um tombo,
balbuciou na calçada o corpo.

O beijo da bala e o coice do abate não fazem
jus ao estrago: faltou-lhe sorte. O impacto de um
segundo é todo o impacto do mundo. Diga-se que
nasceu ao contrário. Uns vem à vida e outros, nem tanto.

Receba esta terra, construa em si, como um manto,
a cobertura da pele, da madeira e do pranto.
A morte no baile de fogo dançando do alto e o coro
da liturgia metálica que nunca para de exterminar o povo.

Uma ideia sobre “CORTEJO (poesia para tempos de sangue)

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