VISTA DO BAIRRO

Uma senhora com ares de brisa
Saúda os passantes com os olhos
Traz na boca a placidez do silêncio
Enverga na testa o arco da exatidão

Vamos conversar – parece dizer
Todos passam carregando palavras

O tripeiro atravessa seus esventramentos
O padeiro fermenta uma revolução
A carroça do pipoqueiro manca
O sangue cobre todos até onde a vista alcança

Nada novo – parece dizer
As mesmices se renovam com o Sol em cada janela

Crianças tropeçam tatibitates
Jovens colecionam oxítonas
Os porcos e suas litanias de poder enfadam de morte
Resta o velho livro redescoberto e o deserto

A testa arqueada sem palavras dizendo
O sentido está onde você o encontrar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s