Poema (1) de Eliza Araújo

malcom t liepke

Ilustração: Malcom T. Liepke

[PORTO]

Uso os brincos que você me devolveu.

A prata empretece

sem produtos químicos.

Ninguém dizia isso aos clientes

na loja de joias

mas eu sonhava com várias outras vidas

descolando etiquetas para brincos de prata

como esses.

quando andávamos até o centro da cidade

não sei sobre o que conversávamos

só sei que os anos se passaram assim

e transitei

em cabelos tantos

corpos vários

cabeças vivas.

Você ficou na casa

sendo meu porto, norte, direção.

Guardo tuas palavras

e tua voz comigo

Se me concentro bem quietinha

e entro no silêncio que faz aqui

Quase posso ouvi-la

Sentir um beijo teu na testa

E lembro como ser pessoa.

(Eliza Araújo)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre luisagadelha

Luísa é graduada e mestra em Letras, graduanda em Filosofia, ama literatura desde sempre e quadrinhos há alguns anos, tem preferência por romances (longos), sejam clássicos ou contemporâneos e se esforça - ou nem tanto - para ler mais poesia. Isso quando não está vendo séries.

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